Após ações judiciais por abuso sexual, Uber reforça checagem de histórico de condutores nos EUA

A Uber passará a adotar critérios muito mais rigorosos na análise do histórico de seus colaboradores, ampliando a lista de antecedentes criminais que impedem alguém de atuar como motorista ou entregador pela plataforma. A empresa anunciou as novas diretrizes logo após seus acionistas abrirem um processo judicial contra a diretoria e o conselho executivo da companhia.

De acordo com a ação legal, “os líderes da Uber têm um histórico antigo de destinar investimentos insuficientes para a proteção e segurança dos clientes, além de consolidar uma postura de descumprimento de normas na organização”. O processo alega que essa negligência resultou em episódios de assédio e violência sexual contra os passageiros. A Uber vem enfrentando uma série de ações judiciais desse tipo há anos e, recentemente, pagou uma indenização de 8,5 milhões de dólares para encerrar o caso de uma jovem de 19 anos que acusou um motorista de estupro no estado do Arizona.

A implementação dessa nova checagem — classificada pela empresa como a mais severa do setor — terá início nesta segunda-feira. Com as novas regras, crimes violentos de natureza grave, como assalto à mão armada, lesão corporal grave, incêndio criminoso, além de abuso ou exposição de menores a risco, estrangulamento e perseguição (stalking), passarão a banir os candidatos, mesmo que a condenação tenha ocorrido há mais de sete anos. Vale lembrar que a Uber já barrava indivíduos com registros de agressão sexual, crimes sexuais envolvendo menores de idade, homicídio, sequestro e terrorismo.

Da mesma forma, qualquer pessoa condenada nos últimos sete anos por dirigir sob o efeito de álcool ou drogas, excesso de velocidade, direção perigosa, roubo, fraude, danos ao patrimônio, crimes relacionados a armas, assédio ou violação de medidas protetivas estará impedida de prestar serviços para a empresa. Infrações como conduzir sem habilitação ou sem seguro automotivo nos últimos três anos também são motivos de desclassificação.

Por outro lado, a companhia abrirá uma exceção pontual para parceiros antigos que não possuam reclamações graves ligadas à segurança interpessoal. Caso a condenação por crime grave tenha mais de 15 anos e não possua caráter sexual, o motorista poderá continuar na plataforma. “Consideramos que essa é a atitude correta em relação aos condutores que reconstruíram suas trajetórias e demonstraram uma conduta exemplar, tanto dentro quanto fora do ecossistema da Uber”, declarou a empresa. Essa ressalva deve englobar cerca de 2.000 profissionais em todo o território americano.

A Uber detalhou que o processo é realizado por empresas terceirizadas especializadas, que “vasculham diversas fontes federais, estaduais e locais, o que inclui registros de tribunais federais, o Cadastro Nacional Público de Criminosos Sexuais, listas de sanções globais e bancos de dados de monitoramento de terrorismo”. Até então, a Uber utilizava o rastreamento do número de Seguro Social (SSN) limitado aos últimos 7 anos nos EUA. A partir de agora, as varreduras iniciais e as reavaliações anuais dos motoristas e entregadores ativos farão um rastreamento vitalício (de 99 anos) do SSN. Segundo informações da Bloomberg, estima-se que as novas exigências resultem no desligamento de dezenas de milhares de profissionais, o que representa cerca de 0,5% da força de trabalho da empresa nos Estados Unidos.

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