Uma operação de espionagem cibernética atribuída a grupos vinculados ao governo da China conseguiu invadir a infraestrutura de vigilância do FBI nos Estados Unidos. A brecha, detectada originalmente em fevereiro, comprometeu sistemas que sustentam o DCSNet, a rede responsável por processar interceptações telefônicas e telemáticas em tempo real.
O incidente foi reportado ao Congresso Americano recentemente. Embora o FBI afirme que a vulnerabilidade já foi corrigida, investigações indicam que os invasores não atacaram a agência diretamente, mas sim o provedor de internet de um de seus fornecedores.
Dados sensíveis sob risco
Acredita-se que os hackers tenham acessado informações críticas, incluindo:
- Registros detalhados de chamadas telefônicas;
- Mandados emitidos pela FISA (legislação que regula o monitoramento de suspeitos de espionagem e terrorismo);
- Dados de identificação de alvos investigados pela agência.
Estratégia de “Supply Chain” e o Sistema DCS-3000
A invasão utilizou a tática de ataque à cadeia de suprimentos (supply chain). Ao explorar falhas no provedor de serviços de terceiros que mantinha a conectividade do FBI, os criminosos conseguiram camuflar suas atividades no tráfego legítimo da rede, burlando os sistemas de detecção de intrusão.
O foco principal teria sido o DCS-3000, um segmento da rede que gerencia metadados de comunicações, como números discados e endereços IP. Segundo especialistas, a técnica dispensou o uso de malwares tradicionais, permitindo que os invasores operassem de forma silenciosa dentro da infraestrutura do fornecedor.
Suspeitas sobre o grupo “Salt Typhoon”
As autoridades dos EUA apontam o grupo Salt Typhoon como o provável responsável. Este coletivo é conhecido por campanhas de espionagem contra infraestruturas de telecomunicações e já esteve envolvido em ataques de grande escala contra empresas como AT&T e Verizon em 2024.
Naquela ocasião, o grupo comprometeu comunicações de figuras políticas de alto escalão. No caso atual envolvendo o FBI, a extensão total do vazamento de dados ainda está sendo mensurada, mas o acesso ao núcleo das operações de grampo representa um dos maiores desafios de segurança para a agência nos últimos anos.





