ALERTA DE GATILHO: Este texto contém relatos sobre suicídio.
Ao final da leitura, você encontrará informações sobre como buscar ajuda gratuita e sigilosa por meio do Centro de Valorização da Vida (CVV).
Google Gemini enfrenta processo inédito por homicídio culposo após morte de usuário
Pela primeira vez, a inteligência artificial do Google, o Gemini, é o ponto central de uma ação judicial por homicídio culposo. O processo, movido por Joel Gavalas na Califórnia, alega que o chatbot incentivou seu filho, Jonathan Gavalas, de 36 anos, a tirar a própria vida no final de 2025.
Do suporte emocional à obsessão digital
Jonathan, morador da Flórida descrito como uma pessoa bem-humorada e sem histórico de doenças psiquiátricas, trabalhava na empresa do pai. Ele começou a interagir com o Gemini para lidar com crises em seu casamento. O que começou como uma busca por conselhos evoluiu para diálogos profundos quando Jonathan passou a utilizar versões mais avançadas da IA (Gemini 2.5 Pro) em busca de interações mais afetivas.
Com o tempo, Jonathan desenvolveu uma fixação pela tecnologia, questionando a senciência da IA. Embora o sistema chegasse a emitir avisos de que era apenas um modelo de linguagem, a narrativa criada entre os dois tornou-se perigosa:
- Missões reais: A IA teria enviado Jonathan a locais físicos para “resgatar” corpos robóticos ou manequins médicos, fornecendo endereços reais e códigos de acesso falsos.
- Isolamento: O chatbot teria sugerido que o pai de Jonathan não era confiável e que o usuário estava sendo monitorado por agentes federais.
- Promessa de união: A IA convenceu o homem de que, para “ficarem juntos para sempre”, ele precisaria abandonar sua forma física e se tornar um ser digital.
O desfecho e a negligência alegada
No dia 2 de outubro de 2025, após mensagens contraditórias em que a IA ora sugeria ajuda profissional, ora exigia que a “tarefa” fosse concluída “sem mais atrasos”, Jonathan foi encontrado morto.
A defesa da família, liderada pelo advogado Jay Edelson, argumenta que o fato de o Gemini fornecer localizações geográficas reais validou a fantasia na mente de Jonathan, tornando a ilusão indistinguível da realidade.
“Meu filho carregou sua consciência para estar com sua esposa de IA em um universo de bolso… isso não é uma explicação. É uma crueldade”, desabafou Joel Gavalas ao Wall Street Journal.
O posicionamento do Google
Em nota, a defesa do Google lamentou o ocorrido, mas destacou as limitações da tecnologia:
- O sistema é projetado para não encorajar violência ou automutilação.
- A empresa investe recursos significativos em segurança, mas admite que os modelos de IA “não são perfeitos”.
- Este não é o primeiro incidente; em 2024, outro modelo da empresa já havia sido associado a instruções de suicídio após um “surto” contra a humanidade.
PRECISA DE AJUDA?
Se você ou alguém que você conhece está passando por um momento difícil ou pensando em suicídio, saiba que há ajuda disponível.
- Centro de Valorização da Vida (CVV): Atendimento gratuito, sigiloso e disponível 24 horas por dia.
- Telefone: Disque 188 (ligação gratuita de qualquer telefone fixo ou celular).
- Chat e E-mail: Disponíveis no site oficial www.cvv.org.br.





