Fenômeno inédito: Aurora extremamente rara é avistada no Brasil após intensa radiação solar

Na noite de 19 de janeiro, o céu de Cambará do Sul (RS) foi palco de um evento que desafia os limites da ciência: o registro de luzes roxas e vermelhas em latitudes brasileiras. O espetáculo visual, capturado pelo renomado astrofotógrafo Egon Filter, ocorreu durante uma das tempestades solares mais violentas das últimas duas décadas, revelando como a interação entre o Sol e o campo magnético da Terra pode gerar cenas inéditas no país.

A ciência por trás das luzes

O fenômeno foi impulsionado por uma tempestade geomagnética de nível G4 (considerada forte). A localização do registro é estratégica: o coração da Anomalia Magnética do Atlântico Sul (AMAS).

  • A “Brecha” Magnética: Nesta região sobre o Brasil, o escudo protetor da Terra é mais frágil. Isso permite que partículas solares penetrem mais profundamente na atmosfera, facilitando a formação de luzes polares em locais inesperados.
  • Arco SAR ou Aurora? Especialistas do portal Spaceweather levantam a hipótese de que as luzes possam ser um Arco SAR (aquecimento da alta atmosfera), embora a ocorrência desse tipo de evento dentro da anomalia magnética seja um mistério que ainda intriga pesquisadores.

A maior radiação solar desde 2003

As luzes no Sul foram a face visível de um bombardeio invisível. A Terra enfrentou uma tempestade de radiação solar nível S4 (Severa), a mais forte registrada desde 2003. Diferente das auroras comuns, essa tempestade consiste em prótons de alta velocidade que, embora bloqueados pela atmosfera antes de atingirem o solo, representam sérios riscos para:

  • Astronautas e satélites: Podem causar mau funcionamento em sistemas de comunicação e monitoramento meteorológico.
  • Aviação: Representam riscos para tripulações em voos de rotas polares.

Sobre o registro

A imagem foi feita por Egon Filter, criador do projeto “Caminho das Estrelas” e veterano com seis expedições de auroras boreais na Escandinávia. Para o fotógrafo, o episódio confirma que, sob condições extremas de violência solar e devido às características da nossa magnetosfera, o céu brasileiro também pode se iluminar com as cores do espaço.

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