A Unreal Engine, frequentemente alvo de debates no mundo dos games, tornou-se o centro de uma polêmica inesperada na indústria cinematográfica. A Epic Games emitiu um pronunciamento oficial rebatendo as declarações de Gore Verbinski, diretor da franquia Piratas do Caribe, que atribuiu ao motor gráfico a queda na qualidade dos efeitos visuais (CGI) nas produções modernas.
Em resposta ao PC Gamer, Patrick Tubach, supervisor de efeitos visuais da Epic, afirmou ser “incorreto alegar que uma ferramenta é a responsável por problemas percebidos no estado atual do CGI”. Segundo Tubach, embora a escala de produção tenha aumentado, a qualidade estética depende do talento do artista, e não do software utilizado.
Um veterano defende a ferramenta
A defesa da Epic carrega peso, pois Patrick Tubach tem uma trajetória consolidada no cinema antes de ingressar na empresa em 2022. Com passagens por filmes como Transformers e Star Trek, Tubach trabalhou inclusive como compositor digital nos próprios filmes de Piratas do Caribe, conhecendo de perto o trabalho de Verbinski.
Para o especialista, a Unreal Engine é a realização de um desejo antigo dos profissionais de VFX:
- Evolução: Tubach afirma que, há 15 anos, os artistas só podiam sonhar com uma ferramenta tão potente em suas mesas.
- Uso atual: O motor é utilizado hoje para pré-visualização, produções virtuais e, em casos específicos, na renderização de pixels finais.
- Facilitação: Ele reforça que a tecnologia existe para auxiliar e otimizar o trabalho que antes era muito mais penoso.
O contraste entre o Cinema e os Games
A discussão ganha contornos curiosos ao observar o cenário dos jogos eletrônicos. Enquanto a Unreal Engine se torna cada vez mais onipresente nos sets de filmagem, a sua versão mais recente, a Unreal Engine 5, tem enfrentado resistência de parte dos jogadores, especialmente no PC.
As críticas dos gamers costumam focar em problemas de otimização, apesar de o motor continuar sendo a escolha principal de muitos desenvolvedores pela sua versatilidade. Resta saber se o debate no cinema continuará com uma tréplica de Verbinski ou se a indústria aceitará a visão de que o software é apenas um meio para o talento dos artistas.





