A recente captura e deposição de Nicolás Maduro provocou uma onda de incertezas que ultrapassou o campo político, impactando diretamente o comportamento digital na Venezuela. Após a intervenção dos Estados Unidos, o país registrou um aumento vertiginoso no download de ferramentas de privacidade, proxies e carteiras digitais, segundo dados da SimilarWeb e Appfigures.
O movimento foi impulsionado por um cenário de caos, marcado por explosões, quedas de energia e instabilidade na rede elétrica. Diante do medo, os cidadãos buscaram alternativas para contornar bloqueios governamentais e garantir a segurança de suas comunicações e ativos financeiros.
Os aplicativos mais baixados por plataforma
A busca por proteção variou levemente entre os sistemas operacionais, mas manteve o foco na evasão da censura:
- No Android: O ranking foi dominado por ferramentas de segurança e anonimato, com destaque para o LatLon VPN, ThetaProxy, Kontigo App, Alpha Protect VPN e Squeak Proxy.
- No iOS (Apple): Além das VPNs (como Proton VPN e VPN – Super Unlimited Proxy), os usuários focaram em redes sociais para acompanhar os fatos em tempo real, colocando o X (antigo Twitter) e o Threads no topo. Houve também uma alta procura por carteiras digitais, refletindo a preocupação com a preservação do patrimônio financeiro.
Histórico de restrições digitais
A necessidade dessas ferramentas não é um fenômeno isolado. O acesso à internet na Venezuela já sofria severas limitações. No início de 2025, a organização VEsinFiltro já havia denunciado o bloqueio de 40 serviços de DNS públicos (incluindo os da Google e CloudFlare), além de restrições a plataformas como o TikTok.
Em um cenário de incertezas geopolíticas, o uso de criptomoedas e redes privadas tornou-se a principal estratégia da população para manter a estabilidade financeira e o acesso à informação.





