Após um período de intensa polarização e debates acalorados, as discussões políticas apresentaram uma queda significativa no WhatsApp no Brasil, especialmente em grupos de amigos e familiares.
Essa é a principal conclusão da 5ª edição da pesquisa “Os Vetores da Comunicação Política em Aplicativos de Mensagens”, realizada pelo InternetLab em parceria com a Rede Conhecimento Social, que ouviu mais de 3 mil pessoas entre novembro e dezembro de 2024.
O Medo e a Cautela Explicam o Silêncio
O levantamento aponta que a diminuição da temperatura nos chats é resultado direto do desgaste gerado por conflitos anteriores e pela percepção de um ambiente agressivo. Os usuários adotaram uma postura de cautela e até de “autocensura” para preservar as relações pessoais:
- Medo e Agressividade: 56% dos entrevistados relatam sentir receio de expressar suas opiniões políticas devido ao ambiente considerado muito agressivo.
- Autopoliciamento: 52% afirmam que se policiam cada vez mais sobre o que compartilham.
- Evitar Brigas: Metade dos respondentes (50%) admite que evita o tema político em grupos de família para prevenir brigas e desentendimentos.
Queda do Conteúdo Político nos Grupos
A presença de notícias sobre política e governo nos grupos de convivência social caiu drasticamente:
- Grupos de Família: A queda foi de 34% em 2021 para 27% em 2024.
- Grupos de Amigos: A redução foi ainda mais expressiva, passando de 38% em 2022 (ano eleitoral) para 24% em 2024.
???? TikTok Ganha Espaço no Ecossistema de Mensagens
Embora o WhatsApp continue dominando, sendo usado por 99,1% dos entrevistados, a pesquisa identificou uma mudança no uso de outros aplicativos de mensagens:
- Crescimento do TikTok: O aplicativo de vídeos curtos teve um salto no uso de mensagens diretas (DMs) e encaminhamentos. Em 2024, 24% dos participantes usaram o TikTok para troca de mensagens, um aumento notável em relação aos 19% registrados em 2023. O app agora ultrapassa o X (antigo Twitter) neste quesito.
- Estabilidade e Queda: O Instagram se mantém estável como o segundo maior canal de mensagens (65%). Já o Telegram, que havia apresentado crescimento em anos anteriores, mostrou uma tendência de queda, sendo usado por 39% dos respondentes, contra 46% em 2022.





