A administração da Colômbia optou por encerrar um empreendimento de conectividade em fibra óptica que visava estabelecer uma rota de internet em parceria com o Brasil através da região amazônica. A estrutura seria implementada na calha do Rio Putumayo — conhecido como Rio Içá ao cruzar a fronteira brasileira —, sendo vista como uma articulação de grande importância para a integração digital entre as nações.
A deliberação foi oficializada pela diretoria do Ministério de Tecnologias da Informação e Comunicações (MinTIC) colombiano, sob a gestão inaugurada com a mudança presidencial no país. O planejamento original havia sido estruturado durante o mandato do ex-presidente Gustavo Petro.
Escopo e objetivos da infraestrutura
O planejamento inicial previa a implementação de cerca de 1.600 quilômetros de cabos ópticos por vias fluviais e terrestres. O intuito principal era levar sinal de banda larga a aproximadamente 100 mil residências situadas em zonas isoladas da Amazônia colombiana.
Além de democratizar o acesso digital para populações locais, a malha tecnológica pretendia se conectar diretamente à Infovia 02, segmento integrante da iniciativa brasileira Norte Conectado. Como essa rede nacional já atinge a faixa de fronteira comum, a união das infraestruturas criaria um corredor de alta velocidade com potencial para interligar os sistemas sul-americanos e projetar rotas entre os oceanos Atlântico e Pacífico.

Conexão seria estabelecida pelo Rio Putumayo, no Brasil chamado de Rio Içá (Nathalia Segato/Unsplash)
Justificativas para a anulação
A pasta ministerial colombiana fundamentou o cancelamento após uma varredura técnica, econômica, jurídica e ambiental. O levantamento apontou vulnerabilidades operacionais e riscos financeiros que poderiam comprometer a entrega eficiente do programa.
Outro ponto determinante foi a forte expansão orçamentária. As estimativas financeiras iniciais, calculadas em centenas de bilhões de pesos, sofreram reajustes expressivos que elevaram os custos globais para a casa dos trilhões de pesos locais.
Em contrapartida, o ex-governante Gustavo Petro manifestou desacordo com a medida em canais digitais, argumentando que o plano já contava com viabilidade financeira e representava um avanço histórico para a infraestrutura amazônica.
Apesar da interrupção do projeto bilateral específico, os esforços tecnológicos continuam em andamento: enquanto o Brasil prossegue com a expansão de suas redes na região norte, relatórios oficiais da Colômbia reiteram que a proximidade com os dutos brasileiros permanece como um trunfo estratégico para o futuro digital da área de fronteira.





