A saga dos vazamentos de Grand Theft Auto 6 ganhou desdobramentos legais contundentes. A Take-Two Interactive, empresa-mãe da Rockstar Games, protocolou intimações formais no Tribunal Distrital do Sul de Nova York com um alvo claro: a Microsoft e o Discord. A investida tem como principal meta rastrear e expor a identidade real do usuário conhecido como CyberLeek, apontado como o autor da recente enxurrada de materiais inéditos do jogo.
A ofensiva jurídica foi desencadeada logo após uma nova onda de publicações feitas pelo suposto leaker, que exibiu uma build jogável gravando um vídeo em que dispara contra uma parede para formar a palavra “LEEK”, seguida por trechos de gameplay focados em supercarros.
O que a Take-Two está exigindo na Justiça?
Valendo-se da legislação estadunidense de direitos autorais (a DMCA), a controladora da Rockstar exige que a Microsoft entregue até o dia 4 de setembro todos os registros e dados internos relacionados à persona “cyberleek”. O pedido inclui informações cadastrais e cadastros de contas no OneDrive que possam conter arquivos de GTA 6 ainda não divulgados ao público.
No caso do Discord, o mandado exige que a plataforma repasse dados detalhados — como endereços de IP, e-mails, números de telefone, IDs de conta e histórico de conexões com serviços externos (como Xbox e Google) — vinculados a uma lista específica de servidores e apelidos, incluindo:
- Contas associadas a “CYBERLEEK”, “CINEMATICROCKSTAR” e “Surfer24k™” (além de variações como cyberleek_west e surwest).
- O servidor “Ødyssey.gg” e o espaço de criadores do streamer Matthew “Matt” Judge (DarkViperAU).

Petição da Take-Two intima Microsoft a fornecer dados e acessos que levem a CyberLeek (Reprodução/Rockstar Games)
A pista das criptomoedas e o lucro por trás do vazamento
Enquanto os advogados agem nos tribunais, a comunidade de fãs tem desempenhado um papel investigativo crucial. Investigadores do fórum GTAForums descobriram que o vazador vinha promovendo ativamente uma memecoin associada aos vídeos ($CYBERLEEK), condicionando a liberação de mais conteúdo à valorização do token.

Take-Two diz que quer “apenas” identificar o vazador, mas todos sabemos como isso vai terminar (Divulgação/Take-Two Interactive)
Rastreamentos financeiros apontaram que a criação do token teve origem na corretora KuCoin. Como a plataforma exige verificação rigorosa de identidade (KYC), essa rota financeira abre um caminho alternativo e veloz para desmascarar o autor. Dados de mercado indicam que a operação do token gerou volumes diários massivos, garantindo ganhos consideráveis em taxas para seus administradores, o que desmascara o discurso inicial do leaker de que sua motivação seria puramente o “ativismo” contra escolhas comerciais da desenvolvedora.
O impacto no mercado
A escalada jurídica acontece em um momento sensível, com o lançamento oficial de GTA 6 se aproximando. A gravidade da situação se reflete nos impactos financeiros: logo após a circulação dos primeiros vídeos, a Take-Two sofreu uma baixa de aproximadamente US$ 2,83 bilhões em seu valor de mercado, com as ações despencando antes de ensaiarem uma recuperação parcial.

Memecoin divulgada pelo leaker pode ser via alternativa mais rápida para identificá-lo (Reprodução/CyberLeek)
Com o cerco se fechando através das ordens judiciais direcionadas à Microsoft e ao Discord até o início de setembro, o caso evoluiu de um simples vazamento de internet para uma crise de proporções legais e financeiras severas.





