A Polícia Civil de São Paulo apura a conduta de Jefferson de Souza, de 37 anos, sob a acusação de utilizar inteligência artificial para manipular fotos de jovens fiéis da Congregação Cristã do Brasil (CCB). O influenciador, conhecido digitalmente como “Silvio Souza”, é suspeito de inserir imagens das vítimas em vídeos de conteúdo sexualizado sem qualquer consentimento.
Detalhes da Investigação e Vítimas
O caso ganhou tração em fevereiro, quando uma estudante de 16 anos e seus pais registraram queixa na 8ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). Além da adolescente, a investigação foi expandida para apurar crimes de difamação contra outras jovens adultas.
Devido à residência do investigado, o processo foi transferido para a 2ª Vara da Comarca de Lençóis Paulista, onde Jefferson trabalha como borracheiro.
O “Modus Operandi”: Como as deepfakes eram feitas
Jefferson admitiu à polícia e em suas redes sociais a dinâmica das manipulações. O processo consistia em:
- Coleta de Imagens: Fotos eram retiradas de perfis públicos das fiéis, geralmente registros feitos dentro das igrejas.
- Uso de IA: Através de ferramentas de inteligência artificial (especialmente filtros do TikTok), ele transformava fotos estáticas em vídeos.
- Manipulação de Contexto: As vítimas eram colocadas “dançando” de forma sensual ao lado de mulheres com roupas curtas ou em cenas simuladas de sexo e pornografia.
Em alguns conteúdos, ele utilizava a imagem de Silvio Santos, figura que ele costuma mimetizar em suas redes. Jefferson justificou as edições como uma estratégia para “ganhar seguidores”.
Implicações Jurídicas
O influenciador é suspeito de violar o Artigo 241-C do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que trata da simulação de cenas de pornografia com menores por meio digital. A pena prevista é de um a três anos de prisão, além de multa.
O Lado da Defesa
O advogado Aguinaldo Aparecido Ereno afirma que Jefferson está colaborando com as autoridades e que os dispositivos eletrônicos já foram periciados. A linha de defesa sustenta que:
- Os vídeos tinham intuito de “sátira e crítica de costumes”.
- Não houve intenção de promover exploração sexual.
- O influenciador desconhecia a idade da adolescente, alegando que o porte físico dela sugeria ser uma adulta.
Embora tenha publicado um pedido de desculpas à instituição religiosa, Jefferson não mencionou especificamente as mulheres cujas imagens foram manipuladas.
Posicionamento das Instituições
- CCB: Declarou que apoia as medidas legais cabíveis.
- TikTok e YouTube: Afirmaram ter políticas de tolerância zero para tais conteúdos e removeram os vídeos que violavam suas diretrizes.
- Meta (Instagram/Facebook): Não emitiu pronunciamento oficial.
A delegada Juliana Raite Menezes, da 8ª DDM, reforça a orientação para que outras possíveis vítimas do influenciador procurem a polícia para registrar o ocorrido.





