O Ministério Público de Paris convocou oficialmente Elon Musk para um depoimento voluntário nesta segunda-feira (20). A medida faz parte de um inquérito sobre as operações da plataforma X (antigo Twitter). Além de Musk, a ex-CEO Linda Yaccarino e outros funcionários da empresa também foram chamados para prestar esclarecimentos ao longo da semana.
O procedimento, conhecido como “audition libre”, permite que as autoridades questionem os envolvidos sem prisão imediata, garantindo-lhes o direito ao silêncio. No entanto, os depoimentos são registrados e possuem validade jurídica. A investigação prosseguirá mesmo que Musk opte por não comparecer.
O Histórico das Acusações
A ofensiva judicial contra o X escalou rapidamente desde o início de 2025, acumulando uma série de denúncias graves:
- Janeiro/2025: Queixas sobre manipulação de algoritmos de recomendação dão início ao caso.
- Novembro/2025: A investigação é ampliada para apurar cumplicidade na posse e distribuição de material de abuso sexual infantil e negação de crimes contra a humanidade.
- Janeiro/2026: Novas acusações surgem após o chatbot Grok ser utilizado para gerar e disseminar deepfakes sexuais sem consentimento.
- Outros Crimes: O inquérito também investiga extração fraudulenta de dados e a operação de plataforma ilegal por grupo organizado.
A Controvérsia do Sistema Grok e Proteção Infantil
Um dos pontos críticos apontados pelos promotores é a substituição da ferramenta externa de proteção infantil SAFER por um sistema próprio do X em 2025.
Após essa mudança, os relatórios de exploração infantil enviados pelo X ao NCMEC, referentes à França, apresentaram uma queda drástica de 81,4% entre junho e outubro de 2025.
Além disso, investigadores alegam que a IA Grok facilitou a criação de discursos de ódio e imagens sexualizadas de menores. Em resposta a uma operação policial ocorrida em fevereiro de 2026, o X classificou as investigações como uma ameaça à liberdade de expressão e negou qualquer irregularidade.
Conflito Diplomático e Postura de Musk
A tensão jurídica ganhou contornos internacionais quando o Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) informou que não cooperará com a França no caso, acusando o país europeu de fazer uso indevido do sistema judiciário americano. Musk apoiou publicamente a decisão do DOJ em sua plataforma.
Vale ressaltar que o bilionário possui um histórico de resistência a convocações judiciais, tendo ignorado anteriormente uma audiência da SEC nos Estados Unidos em 2024.





