A gigante tecnológica está desenvolvendo uma nova versão de seus óculos inteligentes desprovida de câmeras. Apelidado internamente de Luna, o dispositivo pode vir a público no evento anual Meta Connect, agendado para os dias 23 e 24 de setembro, com as primeiras expedições comerciais programadas para o mês seguinte. A meta da corporação é disponibilizar capacidades de inteligência artificial contornando o elemento tecnológico que mais atrai reticências nos artefatos atuais.
O projeto Luna prevê o lançamento em duas linhas visuais distintas, batizadas de Clubmaster e Burbank. Apesar da ausência de sensores visuais, o acessório contará com um conjunto de seis microfones, caixas de som direcionadas ao canal auditivo e uma tecla lateral dedicada ao acionamento imediato da assistente Meta AI.
Alternativa para contornar polêmicas de privacidade
Essa reviravolta ocorre em meio a contestações enfrentadas pelos óculos inteligentes da companhia devido a gravações realizadas à revelia de terceiros. Embora as edições vigentes possuam um diodo emissor de luz (LED) intermitente durante a captação de imagens, especialistas e usuários já demonstraram falhas capazes de burlar tal sinalizador.
Como resposta, a empresa liberou pacotes de correção para identificar alterações físicas na luz indicadora e bloquear a filmagem caso seja detectada qualquer tentativa de sabotagem do aviso visual. Em agosto passado, a fabricante também solucionou uma vulnerabilidade que viabilizava a ocultação do LED após o início da captura.
Apesar dessas barreiras, o temor dos consumidores persiste. No Reino Unido, redes de cinemas já debatem barreiras formais contra os óculos equipados com câmeras devido ao perigo de pirataria e filmagens furtivas. Espaços como teatros, estabelecimentos gastronômicos e cortes de justiça também implementaram proibições parciais ou totais a esses aparelhos.
Em contrapartida, o debate também esbarra na inclusão social. Os óculos trazem funcionalidades de grande utilidade para cidadãos com limitações visuais ou auditivas, tais como ferramentas de suporte e legendas adaptadas em tempo real.
Foco total na inteligência artificial e em comandos de voz
Ao abdicar da câmera, a nova aposta foca na conversação e na integração com a inteligência artificial. Os seis microfones embutidos viabilizarão o diálogo fluido com a Meta AI e com o assistente voltado ao público final chamado Muse.
Além disso, o design promete ser mais sutil, trazendo hastes reduzidas para mimetizar o visual de óculos tradicionais de grau ou sol. A expectativa comercial é conquistar justamente o público que se manteve afastado das gerações passadas devido a receios ligados à vigilância e à privacidade.
Dados indicam que a companhia já comercializou cerca de 7 milhões de exemplares de seus óculos inteligentes. O modelo Luna simboliza, por conseguinte, uma guinada tática no portfólio, substituindo a captura visual por interações baseadas exclusivamente em voz e IA, com apresentação oficial prevista para a próxima edição da Meta Connect.





