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Aumento de golpes em apostas online coloca Brasil no topo dos riscos na América Latina

FOTO: BRUNO PERES/AGÊNCIA BRASIL

O cenário de segurança no mercado de apostas esportivas no Brasil se tornou mais crítico nos últimos tempos. De acordo com o iGaming Fraud Report 2026, elaborado pela Sumsub, a taxa de tentativas de fraude nas plataformas saltou de 1,01% em 2025 para 2,2% no primeiro trimestre de 2026. Esse crescimento elevou o Brasil ao terceiro posto no ranking de maior periculosidade da América Latina, ficando atrás apenas do Equador (7,3%) e registrando números muito próximos aos do Chile (2,3%).

Em uma análise global, o Brasil também ultrapassa a média de fraudes de 1,53% identificada pela empresa de verificação de identidade. O índice mundial subiu 18% em relação ao ano passado e quase 40% na comparação com 2024. Além disso, o prejuízo potencial aumentou: as transações marcadas como suspeitas tiveram um incremento de 64% no valor médio, atingindo a marca de R$ 35 mil.

O estudo aponta ainda que, mesmo com o avanço da regulação do setor no país, as práticas ilícitas continuam em expansão. Entre os métodos mais utilizados na América Latina, destacam-se a falsificação de imagens faciais via deepfakes (33,3%) e a utilização de documentos falsos (31,1%). Grande parte dessas investidas criminosas ocorre durante a madrugada, entre a meia-noite e as 3h, momento em que as equipes de monitoramento das empresas costumam estar com a capacidade reduzida.

Pressão sobre a infraestrutura de segurança

Kris Galloway, especialista da Sumsub, compara a atual onda de golpes a um ataque DDoS, no qual o tráfego de dados é substituído por cadastros fraudulentos e identidades manipuladas. Segundo o executivo, a inteligência artificial democratizou o acesso a ferramentas de ataque, permitindo que criminosos operem em escala e sobrecarreguem as defesas das plataformas. Embora a maioria das tentativas seja barrada pelos filtros iniciais, o uso cada vez mais sofisticado de deepfakes e documentos alterados tem desafiado as barreiras de proteção existentes. Globalmente, a criação de identidades falsas, especialmente com foco em passaportes, subiu 27% desde 2024.

Cerca de 26 milhões de brasileiros apostam online com frequência (Reprodução/Niek Doup/Unsplash)

A ofensiva governamental

Paralelamente ao aumento dos riscos cibernéticos, o Poder Executivo brasileiro intensificou as ações de fiscalização. Desde junho, a Receita Federal estabeleceu que influenciadores digitais que promovem bets sem licença podem ser responsabilizados pelos tributos não pagos pelas operadoras irregulares. Instituições financeiras que mantêm o processamento de pagamentos para essas plataformas, mesmo após avisos oficiais, também passam a ser alvos de cobranças fiscais.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública estima que cerca de 25,2 milhões de brasileiros utilizem serviços de apostas clandestinos, o que resultou no banimento de mais de 40 mil domínios e aplicativos com a colaboração da Anatel. Recentemente, o órgão endureceu o cerco contra as gigantes de tecnologia, exigindo que Apple e Google esclareçam como realizam a triagem de aplicativos de apostas em suas lojas e quais mecanismos são aplicados para impedir o acesso de menores de idade. As big techs possuem um prazo de cinco dias úteis para prestar explicações, dando continuidade a um processo de investigação que teve início em abril deste ano.

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