O cerco à Starlink: Como a internet de Elon Musk começou a enfrentar bloqueios

FOTO: ERIC TEIXEIRA/CANALTECH

A infraestrutura de satélites Starlink, criada pela SpaceX, vem encontrando sérios obstáculos técnicos nos fronts da guerra entre russos e ucranianos. As tropas de Moscou conseguiram desenvolver formas de anular o serviço de conexão da companhia de Elon Musk, que vinha sendo amplamente empregado pelo exército de Kiev na coordenação de ofensivas com aeronaves não tripuladas.

Dados obtidos pela agência de notícias Reuters revelam que o exército russo ampliou o uso de aparelhos de guerra eletrônica voltados para derrubar links digitais. O foco principal dessa tática são os drones ucranianos de médio raio de ação, que dependem diretamente da Starlink para traçar suas rotas de voo.

Um dos principais recursos tecnológicos usados pelos russos nessa frente é o sistema batizado de Volna Kupol Garant. Conforme relatado por Serhii Beskrestnov, consultor do Ministério da Defesa da Ucrânia, o maquinário projeta ondas de rádio de altíssima intensidade, capazes de cortar a comunicação dos drones com a rede de satélites em um perímetro de até 20 quilômetros quadrados.

Beskrestnov afirmou que as forças ucranianas já mapearam pelo menos dez dessas unidades de bloqueio operando em setores cruciais do front. Caso essa barreira eletrônica se espalhe para novas frentes de batalha, a eficácia das aeronaves autônomas ucranianas que usam a Starlink para bombardear posições russas pode ser severamente comprometida.

Sistema russo interrompe conexão de drones ucranianos com satélites da Starlink (Imagem: Reprodução/Starlink)

A Contraofensiva Ucraniana Contra as Barreiras de Sinal

Assim que a existência do complexo Volna Kupol Garant foi confirmada, as forças de Kiev recalibraram sua estratégia, transformando os próprios bloqueadores eletrônicos em alvos prioritários para restabelecer a autonomia de voo de suas frentes aéreas.

Os ataques contra essas estruturas estão sob a liderança do 422º Regimento de Sistemas Não Tripulados ucraniano, que atua na linha de frente ao sul de Zaporizhzhia.

Em uma das investidas mais recentes, realizada em parceria com o Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU), o alvo foi bombardeado poucas horas após ser localizado por batedores. A investida provocou uma detonação massiva no complexo inimigo, que era constituído por seis grandes estruturas móveis em formato de reboque.

A eliminação dessas barreiras de interferência gerou um reflexo positivo instantâneo nas missões dos drones que necessitam do sinal de satélite para navegar.

Um oficial militar conhecido pelo codinome Dyryhent relatou que os dispositivos que operam via Starlink retomaram suas atividades normalmente logo após o centro de interferência russo ser pulverizado.

Apesar disso, embora as forças ucranianas ainda dependam da infraestrutura da empresa de Elon Musk para guiar seus drones, o alto comando militar do país já constatou que a velocidade da Starlink fica aquém do necessário para as exigências dinâmicas dos robôs de combate modernos.

WhatsApp