Ciência a favor da verdade: especialista utiliza a física para detectar deepfakes

FOTO: REPRODUÇÃO/COUNSEL MAGAZINE

Hany Farid, renomado perito em forense digital, emprega conceitos fundamentais da física e da geometria como ferramentas para detectar conteúdos produzidos por sistemas de inteligência artificial. Sua abordagem investigativa concentra-se na verificação de linhas paralelas e na projeção de sombras, detalhes que os atuais geradores de imagem ainda falham em reproduzir com precisão matemática.

Com mais de vinte anos de trajetória na autenticação de mídias e lecionando na Universidade da Califórnia, Berkeley, Farid ressalta que a representação fiel do mundo físico é repleta de nuances complexas.

Dado que a visão humana tende a relevar pequenas falhas na geometria de fotografias, não há uma pressão imediata para que as desenvolvedoras de IA priorizem a fidelidade física em seus modelos. Contudo, exames periciais minuciosos, utilizando técnicas de reconstrução tridimensional, conseguem evidenciar esses erros.

A lógica central reside na convenção óptica de que retas paralelas no ambiente real devem encontrar-se em um ponto de fuga único na perspectiva da imagem. Tal regra vale tanto para elementos arquitetônicos quanto para a incidência solar. Como a distância do Sol em relação ao planeta é vasta, a luz chega paralelamente à Terra, obrigando as retas que ligam objetos a suas sombras a convergirem para o mesmo ponto de fuga.

Enquanto registros reais exibem essa convergência geométrica harmoniosa, produções sintéticas frequentemente exibem erros de cálculo, resultando em sombras que se projetam de maneira desalinhada e incoerente.

Linhas de perspectiva aplicadas sobre imagem real mostram a convergência exata em um ponto de fuga (Imagem: Reprodução/YouTube/Science Magazine)

Estratégias adicionais de detecção de mídias sintéticas

Para além da análise baseada em física, o setor de cibersegurança investe em automação para verificar a procedência dos arquivos. Destaca-se o SynthID, desenvolvido pelo Google, que integra uma marca-d’água digital invisível aos pixels de vídeos, áudios e imagens criadas por IA.

Esta marca é projetada para persistir mesmo após alterações frequentes, como redimensionamentos ou compressão, facilitando a identificação automatizada da origem por plataformas digitais.

Adicionalmente, profissionais da área recorrem a softwares de leitura labial artificial para analisar vídeos. Esse recurso cruza a movimentação dos lábios com as frequências do áudio, expondo descompassos que os criminosos que clonam vozes dificilmente conseguem dissimular.

O ritmo frenético da IA generativa

Os métodos de perícia visual vivem uma constante disputa contra a rápida evolução tecnológica. No início, as falhas eram grosseiras, como a incapacidade de gerar dedos humanos corretamente ou textos compreensíveis em fundos.

Contudo, essas deficiências foram superadas velozmente nas atualizações mais recentes. Por essa razão, especialistas em segurança enfatizam que os indicadores visuais de hoje podem se tornar obsoletos em breve, o que demanda um esforço contínuo na criação de novas formas de autenticação digital.

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