Rumo ao Espaço: O plano ousado de Portugal com satélites próprios e cápsulas reutilizáveis

O arquipélago dos Açores está prestes a se tornar a nova plataforma de lançamento da Europa para o cosmos. Aproveitando sua localização estratégica no meio do Oceano Atlântico, Portugal avança na construção de um porto espacial na ilha de Santa Maria. O plano do país é focar em foguetes de menor porte, cápsulas reutilizáveis e no desenvolvimento de talentos locais, com a meta ousada de colocar 30 satélites em órbita até 2030 e atrair o mercado internacional.

Essa estratégia apoia-se em um ecossistema que ganhou força nos últimos anos. Ricardo Conde, presidente da Agência Espacial Portuguesa (criada em 2019), destaca que o investimento massivo na formação de engenheiros e na qualificação de pessoal já apresenta resultados concretos. Em entrevista à Deutsche Welle, Conde revelou que o setor espacial português conta atualmente com cerca de 80 empresas, que empregam duas mil pessoas e faturaram 200 milhões de euros no último ano. Para ele, o arquipélago é o grande trunfo do país: “Temos mais uma carta na manga: os Açores”.

O “Cabo Canaveral” Europeu em Versão Reduzida

O ponto central dessa operação fica na pacata ilha de Santa Maria, onde uma antiga pista construída na Segunda Guerra Mundial ganha vida nova como base de lançamentos. Gerenciado pelo Atlantic Spaceport Consortium (ASC), o porto espacial terá uma estrutura enxuta, com cerca de 35 funcionários. A ideia não é rivalizar com o gigante complexo da União Europeia em Kourou, na Guiana Francesa, mas sim atuar como um parceiro estratégico focado em satélites e foguetes menores.

O cronograma de operações nos Açores já tem marcos definidos:

  • Segundo semestre de 2026: Está previsto o primeiro pouso na água em território sob jurisdição da União Europeia. A cápsula de transporte alemã Phoenix 2.1, desenvolvida pela Atmos Space Cargo, deverá reentrar na atmosfera e cair nas águas do Atlântico próximas a Santa Maria.
  • 2028: A expectativa é receber o pouso da nave de carga europeia Space Rider.
  • 2030: A base deve operar o lançamento de um satélite sul-coreano.

A escolha da região é estratégica também para as empresas parceiras. Marta Oliveira, cofundadora da Atmos Space Cargo, elogiou a parceria com o país: “As autoridades portuguesas aprovaram o pouso. O porto espacial da ASC facilita a logística e a coordenação com as autoridades locais. É ideal para nós”.

Fabricação Própria de Satélites

Em paralelo ao desenvolvimento da base de lançamentos, Portugal investe na fabricação de sua própria tecnologia orbital com a criação de três novos centros de desenvolvimento:

  • Porto: Através do consórcio CEiiA.
  • Coimbra: Em parceria com a Open Cosmos.
  • Lisboa: Com foco em aplicações de defesa e forças armadas.

Essas unidades serão responsáveis por produzir satélites de pequeno e médio porte (com peso de até 500 quilos). Os equipamentos serão direcionados para atender fins comerciais, governamentais e militares, atuando em frentes essenciais como o monitoramento dos oceanos, sistemas de comunicação e o combate a incêndios florestais.

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