Mina the Hollower resgata essência dos clássicos e faz jus ao legado de Shovel Knight

Embora seja difícil de acreditar, Shovel Knight já completou quase doze anos de estrada, garantindo seu status como um verdadeiro clássico retrô que moldou o mercado de jogos independentes. Desde então, no entanto, a Yacht Club Games parecia presa ao seu próprio sucesso, com dificuldades para estabelecer uma nova franquia de peso fora daquele universo. Felizmente, esse cenário muda completamente com a chegada de Mina the Hollower.

Após sofrer um adiamento que preocupou os fãs — em meio a rumores de que o estúdio estaria apostando sua própria sobrevivência no projeto —, a carismática ratinha finalmente estreia no dia 29 de maio de 2026. E depois de testar a versão completa, o veredito é reconfortante: o estúdio entregou uma jornada brilhante, moderna e que extrai o máximo do charme do pixel art em 8-bit.

Uma Mistura de Zelda, Castlevania e Dark Souls

Mina the Hollower une referências consagradas de forma magistral. O game adota a perspectiva de topo e o mundo interconectado dos The Legend of Zelda clássicos, envolve tudo em uma atmosfera gótica digna de Castlevania e implementa um ciclo de jogabilidade inspirado em Dark Souls.

A grande sacada do design está na mecânica da protagonista: Mina é uma inventora e escavadora capaz de extrair uma energia chamada Centelha. Ela pode se enterrar no chão para se esquivar de inimigos, resolver quebra-cabeças e se movimentar rapidamente. Essa habilidade tem o mesmo peso que a pá tinha em Shovel Knight, ditando o ritmo de toda a aventura.

Para o combate, há um arsenal variado e cheio de estilo:

  • Um chicote de corrente tradicional;
  • Um caixão multifuncional (que serve de escudo e bumerangue);
  • Um martelo pesado que permite rolamentos;
  • Adagas velozes e armas com projéteis que ricocheteiam.

Desafio Orgânico e que “Pirraça” o Jogador

Não se engane: o jogo é altamente desafiador, mas nunca injusto. Ele traz uma fricção saudável, que pune o descuido e estimula a tentativa e erro. Com cerca de 20 horas de conteúdo divididas em seis áreas principais, o game brilha ao subverter expectativas. Em Setemburgo, por exemplo, o chefe assume o papel de um perseguidor implacável, transformando áreas antes seguras em zonas de puro perigo.

A frustração constantemente dá lugar à curiosidade. Além disso, o jogo oferece acessórios desbloqueáveis que corrigem pequenos incômodos de jogabilidade à medida que você progride, como um item que permite escavar paredes ou outro que elimina a necessidade de saltar antes de entrar na terra.

Trapaças Bem-Vindas: Ciente do momento “tudo ou nada” que vive, a desenvolvedora incluiu um menu de modificadores e trapaças. Se você quiser facilitar a jornada com invencibilidade e mais checkpoints, ou até mesmo torná-la mais difícil, a escolha é sua.

Atmosfera Impecável vs. História Rasa

Se a jogabilidade e a ambientação são primorosas, o mesmo não se pode dizer da narrativa. A trama é funcional, mas o desenvolvimento deixa a desejar: muitos personagens secundários são esquecíveis e os diálogos frequentemente sugerem uma intimidade entre Mina e os NPCs que o jogador simplesmente não compreende por falta de contexto.

Ainda assim, o universo compensa esse deslize. O mundo consegue oscilar entre o fofo e o aterrorizante, apresentando situações bizarras e encontros inusitados que mantêm o interesse do jogador do início ao fim.

Vale a Pena?

Mina the Hollower já nasce como um clássico instantâneo. É uma produção carismática, punitiva na medida certa e extremamente recompensadora, capaz de garantir um futuro promissor para a Yacht Club Games. Se você é fã da estética retrô e de mecânicas bem polidas, este jogo tem tudo para se tornar um de seus favoritos.

Nota do Voxel: 90

Pontos Positivos:

  • Visuais em 8-bits com animações fluidas e impecáveis;
  • Exploração instigante e muito recompensadora;
  • Combate satisfatório e altamente customizável;
  • Equilíbrio perfeito entre o visual fofo e a atmosfera de terror;
  • Constantes quebras de expectativa e surpresas no mapa.

Pontos Negativos:

  • Ausência de um mapa mais detalhado (estilo metroidvania) para ajudar no vaivém;
  • Algumas caixas de colisão (hitboxes) parecem imprecisas;
  • A progressão da história deixa a desejar.

Mina the Hollower será lançado oficialmente para PC, Nintendo Switch, Nintendo Switch 2, PlayStation 5 e Xbox Series.

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