O debate sobre o bloqueio de redes sociais para menores de 16 anos na Austrália ganhou um novo capítulo. De acordo com a Age Verification Providers Association (AVPA), que representa empresas de verificação de identidade, o obstáculo para cumprir a lei não é a falta de ferramentas tecnológicas, mas sim a negligência das plataformas em aplicá-las corretamente.
O Gargalo da Execução
Para Iain Corby, diretor executivo da AVPA, a tecnologia atual já permite uma validação precisa em larga escala. O problema reside na “aplicação inconsistente”. Segundo a entidade:
- As ferramentas são ignoradas no momento crucial da criação de contas;
- Usuários conseguem burlar sistemas através de múltiplas tentativas de validação;
- Há uma dependência excessiva de informações fornecidas pelos próprios jovens ou em modelos de estimativa por comportamento, que são menos eficazes que a verificação direta.
Pressão Governamental e Multas Milionárias
Desde dezembro, a Austrália adotou uma legislação pioneira que proíbe o acesso de menores de 16 anos a gigantes como Meta, Google, TikTok e Snap. O governo não pretende ser tolerante:
- Investigações em curso: Autoridades já monitoram possíveis brechas deixadas pelas Big Techs.
- Punições severas: As multas por infração podem chegar a A$ 49,5 milhões (aproximadamente R$ 176 milhões).
- Ação judicial: A agência Reuters aponta que o governo australiano já está compilando provas para acionar judicialmente as empresas que não se adequarem.
O Cenário Atual: Avanços e Vulnerabilidades
Embora milhões de perfis suspeitos tenham sido banidos desde que a norma entrou em vigor, o órgão regulador eSafety alerta que o sistema ainda é frágil. A principal crítica recai sobre a facilidade com que menores ainda conseguem navegar nos aplicativos sem passar por um filtro rígido de idade logo no cadastro.
O consenso entre especialistas e reguladores é claro: para que a lei funcione, é necessário trocar a autodeclaração dos usuários por métodos técnicos robustos e fiscalização estatal implacável.





