Para afastar o risco de colapsos no sistema elétrico e garantir o abastecimento nos horários de pico, o Brasil precisará adicionar 35 GW de potência ao Sistema Interligado Nacional (SIN) nos próximos dez anos. O volume, equivalente a quase três vezes a capacidade da Usina de Itaipu, foi apontado em levantamento da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e validado por estudos da Academia Nacional de Engenharia e do CIGRE-Brasil enviados à Aneel.
O desafio das fontes despacháveis
Atualmente, o governo já assegurou a contratação de 19 GW provenientes de fontes térmicas e hidráulicas. Essas fontes são cruciais por serem “despacháveis” — ou seja, podem ser acionadas imediatamente em momentos de escassez, diferentemente das fontes intermitentes (solar e eólica). Para efeito de comparação, a usina de Itaipu possui uma capacidade instalada de 14 GW e atende sozinha cerca de 9% da demanda nacional, chegando a suprir até 30% do consumo em momentos críticos.
Excesso de oferta e o papel do Curtailment
Apesar da necessidade de expansão, o sistema enfrenta um paradoxo: o excesso de geração em momentos de baixa demanda. Em 2025, o SIN atingiu mais de 246 mil MW de capacidade para uma carga máxima de cerca de 104 mil MW. Essa disparidade força o Operador Nacional do Sistema (ONS) a recorrer frequentemente ao curtailment (corte da geração) para evitar sobrecargas.
Segundo a consultoria Volt Robotics, em 16 dias de 2025 o sistema operou no limite de segurança devido à oferta excessiva, especialmente aos fins de semana, quando o consumo industrial cai drasticamente.
Soluções e Investimentos em Armazenamento
O estudo aponta que a saída para equilibrar o sistema não é apenas gerar mais, mas gerir melhor. Entre as recomendações principais estão:
- Leilão de Baterias: O Ministério de Minas e Energia já discute diretrizes para o leilão de baterias previsto para 2026, visando armazenar o excedente das fontes renováveis.
- Reservatórios de Regularização: Investir em hidrelétricas que funcionem como acumuladoras de energia.
- Sistemas Reversíveis: Utilizar o excesso de energia para bombear água de volta aos reservatórios, transformando as usinas em “baterias naturais”.
Essas medidas são essenciais para integrar de forma eficiente a energia eólica e solar, reduzindo o desperdício e fortalecendo a rede contra apagões nas horas de maior exigência.





