Pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa Oncológica da Espanha (CNIO) publicaram resultados promissores na revista científica PNAS. O estudo descreve uma terapia tripla que alcançou a regressão completa de tumores de pâncreas em modelos animais, além de evitar que a doença desenvolvesse resistência ao tratamento.
Sob a liderança de Mariano Barbacid, a equipe observou que os tumores desapareceram em um período de três a quatro semanas. Os animais testados permaneceram saudáveis por mais de 200 dias após a interrupção da terapia, sem apresentar sinais de toxicidade ou efeitos colaterais graves.
Como funciona a estratégia dos três alvos moleculares
A inovação do tratamento reside no ataque simultâneo a três pontos vitais para a sobrevivência do tumor:
- Oncogene KRAS: Combatido pelo inibidor daraxonrasib (RMC-6236), é o principal motor do câncer pancreático.
- Família EGFR: Bloqueada pelo fármaco afatinib, responsável pela progressão da doença.
- Proteína STAT3: Atacada pelo composto SD36, impedindo que o tumor continue crescendo.
A combinação mostrou-se eficaz tanto em modelos geneticamente modificados quanto em enxertos derivados de tumores de pacientes humanos, garantindo que não houvesse recaídas durante o período de monitoramento.
Perspectivas e o cenário da doença
Embora os resultados sejam históricos, os cientistas enfatizam que a pesquisa ainda está em fase experimental. Os próximos passos incluem o ajuste das substâncias para garantir a segurança em futuros ensaios clínicos com seres humanos.
Destaques do estudo:
- Independência Imunológica: A regressão ocorreu sem depender do sistema imunológico, o que pode beneficiar pacientes imunocomprometidos.
- Alta Letalidade: A descoberta é crucial para uma doença que, no Brasil, responde por 5% das mortes por câncer, apesar de representar apenas 1% dos diagnósticos, segundo o Inca.
O sucesso desta abordagem abre caminho para novas estratégias clínicas contra um dos tipos de câncer mais agressivos e com menores taxas de sobrevida na medicina atual.





