Com a inteligência artificial (IA) assumindo papéis cada vez mais decisivos e autônomos, o setor de seguros está passando por uma transformação histórica. Segundo a agência AFP, seguradoras globais começaram a lançar produtos específicos para proteger empresas contra as falhas — e até as “alucinações” — de sistemas automatizados.
A Quebra do Paradigma Tradicional
Historicamente, o mercado de seguros foi moldado para cobrir erros humanos. No entanto, a essência das IAs modernas é justamente operar com o mínimo de supervisão, o que invalida a lógica das apólices convencionais.
- Fim da “Cobertura Silenciosa”: Antes, os riscos de IA eram incluídos de forma implícita (e vaga) em contratos comuns. Agora, grandes seguradoras como a Chubb estão solicitando a exclusão formal da IA de apólices padrão, forçando a criação de produtos dedicados.
- O exemplo da Imobiliária: Phil Dawson, da seguradora Armilla, cita o caso de uma imobiliária que contratou um seguro para seu “agente virtual” nos mesmos moldes que faria para um funcionário humano.
O que as novas apólices cobrem?
Os produtos, muitas vezes adaptados dos seguros de “Erros e Omissões” (E&O), focam em três pilares principais:
- Decisões Equivocadas: Falhas em processos de escolha automatizados.
- Alucinações de IA: Prejuízos financeiros causados por informações falsas geradas pela tecnologia.
- Danos no Mundo Real: Impactos concretos, como um agente virtual que realiza compras excessivas de forma automática.
Rigor na Avaliação e Exclusões
Não basta pagar o prêmio; as seguradoras agora realizam auditorias técnicas profundas. Antes de fechar um contrato, empresas como a Armilla testam os modelos de IA dos clientes para identificar vulnerabilidades e verificar o cumprimento de normas internacionais.
Apesar da expansão, algumas áreas permanecem “intocáveis”:
- Saúde: Diagnósticos médicos e saúde mental geralmente não possuem cobertura.
- Mercados Atípicos: A Munich Re, por exemplo, exclui falhas que ocorram durante variações extremas e imprevisíveis no mercado de ativos ou obras de arte.
Um mercado bilionário
O potencial deste nicho é comparável ao de cibersegurança. Segundo a consultoria Deloitte, o mercado global de seguros para riscos de IA pode movimentar cerca de US$ 4,8 bilhões até 2032. Como define Michael von Gablenz, da Munich Re, a incerteza é inerente à tecnologia: “Seguem sendo modelos estatísticos; sempre apresentam uma parte de incerteza”.





