A Interface Cérebro-Computador (BCI), tecnologia que conecta o pensamento diretamente a máquinas, deve deixar os laboratórios e chegar ao uso cotidiano da população entre 2029 e 2031. A estimativa foi compartilhada por Yao Dezhong, liderança do Instituto de Ciências do Cérebro de Sichuan, durante as recentes reuniões parlamentares em Pequim.
Uma Prioridade de Estado
Diferente de um simples avanço acadêmico, a China agora trata a BCI como uma indústria estratégica central. No novo plano quinquenal do governo, a tecnologia ganhou o mesmo peso que a Inteligência Artificial, a rede 6G e a fusão nuclear.
Para impulsionar o setor, o governo chinês já iniciou a inclusão de tratamentos com BCI no seguro médico de províncias selecionadas. A projeção é que esse mercado movimente cerca de 809 milhões de dólares até 2027.
Avanços Clínicos e Impacto Real
Atualmente, a China divide com os Estados Unidos a liderança em testes humanos invasivos, com mais de 10 estudos ativos e a meta de recrutar 50 novos pacientes ainda este ano. Os resultados já são palpáveis:
- Recuperação de Mobilidade: Pacientes com paralisia ou amputações voltaram a se mover.
- Comando Mental: Voluntários já operam cadeiras de rodas e mãos robóticas apenas com a força do pensamento.
China vs. Neuralink (Elon Musk)
Embora a Neuralink se destaque pela precisão robótica na inserção de eletrodos, a China aposta na diversificação. Enquanto os americanos focam em chips que perfuram o tecido cerebral, os chineses avançam em modelos:
- Invasivos: Chips implantados.
- Semi-invasivos: Posicionados na superfície do cérebro para reduzir riscos cirúrgicos.
- Não invasivos: Dispositivos externos.
“A direção seguida por Musk já é basicamente alcançável dentro do cenário doméstico chinês”, afirma Yao Dezhong.
Vantagens Competitivas
O especialista destaca três pilares que podem colocar a China na frente: a enorme base de pacientes para testes, uma cadeia industrial de baixo custo e um vasto exército de talentos nas áreas de engenharia e tecnologia (STEM).





