A estratégia da Casa Branca de utilizar elementos da cultura gamer para promover agendas políticas gerou um novo embate jurídico e de relações públicas. Na última quinta-feira (5), o governo dos Estados Unidos utilizou a identidade visual de Pokémon Pokopia — lançamento recente para o Nintendo Switch 2 — em suas redes sociais. A reação da The Pokémon Company, no entanto, foi imediata e contrária ao uso de seus personagens para fins partidários.
Em declaração ao The New York Times, a detentora da franquia deixou claro que não autorizou o governo de Donald Trump a vincular a marca ao movimento “MAGA” (Make America Great Again) ou a qualquer outra campanha que possa gerar divisão ideológica.
“Nossa missão é unir o mundo, e ela não está ligada a nenhum ponto de vista ou agenda política”, afirmou a companhia em nota oficial, reforçando que não participou da criação ou distribuição dos conteúdos.
A Gamificação da Política nos EUA
O episódio com Pokémon não é um caso isolado, mas parte de uma tática recorrente da gestão Trump para “gamificar” comunicados oficiais e atrair a atenção do público jovem:
- Alcance Digital: A publicação no X (antigo Twitter), que utiliza a tipografia e o fundo característicos de Pokémon, ultrapassou rapidamente as 21 mil visualizações.
- Call of Duty: Recentemente, a administração utilizou trechos de Call of Duty: Modern Warfare 3 para ilustrar vídeos sobre conflitos geopolíticos com o Irã.
- Histórico com o ICE: Em 2025, o grupo de imigração e alfândega (ICE) já havia utilizado o tema clássico do anime Pokémon em campanhas nas redes sociais.
A insistência do governo em utilizar propriedades intelectuais famosas coloca em xeque a neutralidade das marcas, que agora buscam desvincular sua imagem de narrativas governamentais para evitar o distanciamento de parte de sua base global de fãs.





