Um estudo inédito publicado na revista Nature Medicine nesta quarta-feira (4) confirmou que o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan oferece proteção duradoura contra a dengue. A análise de fase 3, realizada com mais de 16 mil voluntários no Brasil, revelou que apenas uma dose é capaz de manter a eficácia por pelo menos cinco anos e reduzir drasticamente as formas graves da doença.
Desempenho e Eficácia
Os dados mostram que a vacina é eficiente tanto para quem já teve dengue quanto para quem nunca foi infectado:
- Eficácia geral (casos sintomáticos): 65%
- Proteção contra casos graves: 80,5%
- Pessoas já infectadas anteriormente: 77,1% de eficácia.
- Pessoas sem infecção prévia: 58,9% de eficácia.
O infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da SBIm, ressalta que o foco principal não é impedir toda e qualquer infecção, mas sim evitar hospitalizações e mortes. Durante o estudo, nenhum caso de dengue grave foi registrado entre os vacinados.
Cobertura de Sorotipos e Segurança
A vacina foi projetada para combater os quatro sorotipos do vírus (DENV-1 a DENV-4). Embora testes de laboratório mostrem produção de anticorpos para todos, a eficácia prática só pôde ser comprovada para o DENV-1 e DENV-2, que foram os únicos em circulação no Brasil durante o período da pesquisa.
Quanto à segurança, o estudo trouxe alívio aos especialistas:
- Sem riscos de agravamento: O acompanhamento de cinco anos provou que a vacina não induz o “aumento dependente de anticorpos” (quando uma vacina simula uma primeira infecção que agrava uma segunda).
- Eventos adversos: A proporção de problemas graves foi a mesma entre quem tomou a vacina e quem tomou placebo, confirmando o perfil seguro do imunizante.
Vacinação e Combate ao Vetor
Apesar do otimismo com o imunizante, especialistas alertam que a vacina não substitui o combate ao mosquito Aedes aegypti. A estratégia ideal é a combinação das duas frentes:
- Vacinação: Reduz o número de pessoas suscetíveis ao vírus.
- Controle do mosquito: Diminui a circulação do vetor da doença.
Segundo Kfouri, essa união de forças pode gerar uma “proteção indireta”, ajudando a frear a transmissão até para quem ainda não foi vacinado.





