A gigante chinesa de delivery Keeta, que desembarcou recentemente no Brasil, promoveu sua primeira grande onda de desligamentos no país. Na última quarta-feira (4), cerca de 200 funcionários que atuavam na estruturação da marca no Rio de Janeiro foram demitidos após uma mudança súbita nos planos de expansão da companhia.
Justificativa Oficial e Revolta Interna
Em nota, a Keeta afirmou que decidiu adiar sua chegada a novas regiões para priorizar a qualidade dos serviços onde já atua. No entanto, o clima nos bastidores é de indignação. Registros obtidos pelo portal Metrópoles mostram colaboradores revoltados durante o anúncio:
- Promessas descumpridas: Uma funcionária relatou ter abandonado um emprego estável baseada em promessas de crescimento na Keeta.
- Clima hostil: Relatos apontam pressão psicológica excessiva durante o curto período de operação.
- Irritação com benefícios: O anúncio de que o plano de saúde seria mantido por apenas um mês foi recebido com risadas irônicas e questionamentos sobre o destino do capital bilionário da empresa.
Os Desafios no Mercado Brasileiro
A dificuldade de consolidação da Keeta no Brasil passa por dois fatores principais:
- Concorrência Feroz: A disputa direta com o iFood (líder isolado) e a 99 tem dificultado o ganho de mercado.
- Barreiras Estruturais: A empresa citou “questões que inibem a concorrência saudável”, uma provável referência aos contratos de exclusividade entre rivais e restaurantes, tema que já é alvo de disputas judiciais no setor.
Crise na Matriz e Foco em São Paulo
O cenário global também não ajuda. A Meituan, dona da Keeta, teve sua nota de crédito rebaixada pela S&P Global Ratings devido à perda de força na China, o que impacta diretamente o fôlego financeiro para investimentos internacionais.
Apesar do recuo no Rio, a empresa reforçou que:
- Manterá os 1,2 mil postos de trabalho atuais.
- Concentrará todos os esforços na operação de São Paulo.
- Mantém a promessa de investir R$ 5,6 bilhões no Brasil ao longo dos próximos cinco anos.





