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Hackers chineses utilizam Google Drive como ferramenta de espionagem governamental

Um novo relatório da Check Point Research detalha as atividades do Silver Dragon, um grupo de hackers de origem chinesa que, desde 2024, tem como alvo principal órgãos governamentais. A estratégia central do grupo consiste em utilizar o Google Drive como um canal de comunicação furtivo, camuflando o tráfego malicioso em um serviço legítimo que raramente é bloqueado por sistemas de segurança corporativos.

Especialistas indicam, com alto índice de confiança, que o Silver Dragon opera sob a influência do APT41, um dos braços de espionagem cibernética mais notórios vinculados ao governo de Pequim.

Métodos de Invasão e Persistência

O grupo utiliza dois vetores principais para comprometer redes:

  1. Exploração de Servidores: Ataques a servidores expostos com vulnerabilidades conhecidas.
  2. Phishing Direcionado: Envio de e-mails com arquivos de atalho do Windows (** .LNK **). Ao serem abertos, esses arquivos executam uma sequência de comandos em segundo plano enquanto exibem um PDF isca para distrair a vítima.

Uma vez dentro do sistema, o Silver Dragon busca garantir sua permanência através dos carregadores BamboLoader e MonikerLoader, que executam o código malicioso diretamente na memória do computador. Para resistir a reinicializações, o grupo sequestra serviços nativos do Windows, como o Bluetooth e o Windows Update, forçando o carregamento do malware na inicialização do sistema.

O Papel do Google Drive e do Backdoor GearDoor

A ferramenta mais sofisticada identificada é o GearDoor. Este backdoor transforma o Google Drive em uma central de comando e controle (C2).

  • Funcionamento: O malware cria pastas exclusivas para cada máquina infectada no Drive.
  • Comunicação: A troca de instruções ocorre via upload e download de arquivos criptografados. Dependendo da extensão do arquivo (ex: .cab, .rar, .7z), o sistema executa comandos específicos, instala novos payloads ou ativa plugins de memória.
  • Capacidades: A ferramenta permite a exfiltração de dados, manipulação de arquivos e execução remota de processos.

Monitoramento e Exfiltração Avançada

Além do GearDoor, o grupo utiliza utilitários complementares:

  • SilverScreen: Captura telas da vítima periodicamente, salvando imagens apenas quando detecta mudanças visuais significativas para evitar detecção e economizar espaço.
  • SSHcmd: Permite a transferência de arquivos e execução de comandos via protocolo SSH, frequentemente codificados em Base64 para burlar logs de segurança.

O estágio final do ataque geralmente envolve a instalação de um beacon do Cobalt Strike, ferramenta de testes de segurança amplamente subvertida por cibercriminosos.

Evidências de Origem

A atribuição do Silver Dragon à China é sustentada por provas técnicas robustas. Pesquisadores encontraram semelhanças estruturais idênticas entre os scripts do Silver Dragon e códigos do grupo APT41 documentados em 2020. Adicionalmente, os horários de compilação dos arquivos coincidem consistentemente com o fuso horário UTC+8 (China), e as versões do Cobalt Strike utilizadas possuem números de série historicamente ligados a atores de ameaças chineses.

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