As grandes montadoras globais atingiram um ponto de inflexão na corrida tecnológica: a transição para os sistemas “eyes-off”. Esta tecnologia, classificada como Nível 3 de automação, permite que o condutor desvie o olhar da estrada para realizar outras atividades, desde que esteja pronto para retomar o controle quando solicitado pelo veículo.
Planos de Expansão e o Desafio dos Custos
A Ford é uma das entusiastas da modalidade, com planos de lançar sistemas Nível 3 em veículos elétricos acessíveis até 2028. O objetivo, segundo Doug Field, diretor da companhia, é entregar ganho de tempo imediato ao consumidor a um custo viável.
Entretanto, o investimento necessário é massivo. Dados da consultoria McKinsey revelam que:
- Nível 2 (Assistido): Sistemas que exigem supervisão constante (como o Autopilot da Tesla).
- Nível 3 (Eyes-off): Pode custar até US$ 1,5 bilhão para ser desenvolvido, o dobro do investimento do nível anterior.
O Impasse: Viabilidade vs. Segurança
Apesar do progresso, gigantes como a Bosch questionam se o modelo de negócio faz sentido financeiramente. Outras empresas já pisaram no freio:
- Mercedes-Benz: Suspendeu temporariamente seu programa nos EUA devido a limitações geográficas e de velocidade.
- Stellantis: Interrompeu projetos na área citando custos elevados e incertezas sobre a demanda real do consumidor.
A Questão Jurídica: De quem é a culpa?
Um dos maiores obstáculos é a responsabilidade legal. No Nível 3, se houver uma colisão enquanto o sistema está operando, a probabilidade de a fabricante ser responsabilizada aumenta drasticamente. O desafio técnico é garantir que o carro consiga dirigir com segurança por vários segundos (equivalente a campos de futebol) enquanto o motorista se reorienta para assumir o volante.
A Corrida Global em 2026
Enquanto as montadoras tradicionais debatem o Nível 3, o cenário competitivo acelera em outras frentes:
- Tesla e Waymo: Focam no Nível 4 e 5 (totalmente autônomos), com a Tesla expandindo seu serviço de robotáxi nos EUA neste primeiro semestre de 2026.
- China: O governo chinês já autorizou os primeiros veículos Nível 3, pressionando o mercado ocidental com modelos de negócios agressivos.





