O físico Francisco Rodrigues, professor da Universidade de São Paulo (USP), foi laureado na Alemanha com o prêmio Friedrich Wilhelm Bessel, concedido pela Fundação Alexander von Humboldt. A honraria, que inclui um aporte de 60 mil euros, reconhece sua pesquisa de vanguarda: o uso de Inteligência Artificial (IA) para diagnosticar transtornos mentais com precisão superior a 90%.
O Avanço: Diagnóstico por Dados, não apenas Observação
Diferente de doenças como o diabetes, que possuem marcadores biológicos claros, transtornos psiquiátricos dependem hoje quase exclusivamente de análises clínicas e histórico do paciente. A pesquisa de Rodrigues busca mudar esse cenário:
- Metodologia: Algoritmos de aprendizado de máquina analisam exames de ressonância magnética e eletroencefalograma (EEG).
- Capacidade: O sistema identifica alterações cerebrais específicas ligadas à epilepsia, autismo e esquizofrenia.
- Predição: A tecnologia visa detectar sinais de doenças como a esquizofrenia anos antes da manifestação dos primeiros sintomas clínicos.
Desafios e Próximos Passos
Apesar dos resultados promissores publicados em revistas como Nature, a técnica enfrenta desafios práticos, como a dificuldade de manter pacientes imóveis durante exames longos e a imprecisão de alguns dados de EEG. Para contornar isso, o pesquisador utiliza bases de dados internacionais e, agora na Alemanha, explorará o uso de minicérebros (organoides) para gerar sinais neuronais em chips.
“Conseguimos identificar quais regiões foram alteradas e entender quais mudanças estão relacionadas com cada transtorno específico”, explica Rodrigues.
Cronograma e Impacto Social
O impacto potencial é imenso, considerando que milhões de brasileiros convivem com TEA, esquizofrenia e demências.
| Etapa | Previsão |
| Pesquisa em Frankfurt | Até o fim de 2026 |
| Desenvolvimento do método geral | Próximos 10 anos |
| Disponibilidade Clínica | Depende de aprovação da Anvisa |
Rodrigues, que mantém laços acadêmicos com a Alemanha desde 2006, atuará na Fundação Humboldt desenvolvendo sistemas complexos e ensinando aprendizagem de máquina, consolidando a colaboração científica entre Brasil e Europa.





