A promessa de que a Inteligência Artificial (IA) veio para aliviar a carga de trabalho humana acaba de ser contestada. Um estudo conduzido pela Universidade de Berkeley e divulgado na Harvard Business Review revela que, na prática, a adoção da IA generativa está provocando o efeito oposto: o esgotamento profissional.
A Armadilha do “Fazer Mais”
Diferente do que se previa, a IA não liberou tempo livre para os colaboradores. Ao facilitar a execução de processos, ela criou um ciclo de intensificação espontânea:
- Expansão de funções: Com barreiras menores, funcionários passaram a assumir tarefas que antes não eram de sua responsabilidade.
- Fim das pausas naturais: O uso de IA em horários de almoço ou antes de dormir tornou-se comum, eliminando os momentos de descanso durante o expediente.
- Multitarefa excessiva: A facilidade da ferramenta estimulou os profissionais a “malabarizar” várias atividades ao mesmo tempo, gerando sobrecarga cognitiva.
A Ilusão da Eficiência
O estudo, que acompanhou uma empresa de tecnologia por oito meses, destaca que a pressão não veio necessariamente da liderança, mas da própria dinâmica da ferramenta. “Você não trabalha menos; trabalha o mesmo ou até mais”, relatou um engenheiro participante.
O risco reside em um ciclo vicioso: a IA acelera a entrega, o que eleva a expectativa por velocidade, aumentando a dependência da tecnologia e, consequentemente, a carga de trabalho.
Riscos a Longo Prazo e Soluções
Embora as empresas vejam ganhos imediatos, os pesquisadores alertam para consequências graves no futuro:
- Fadiga cognitiva e queda na qualidade das decisões.
- Aumento de erros e rotatividade de pessoal (turnover).
- Burnout generalizado.
A Recomendação: Para evitar o colapso, o estudo defende a criação de uma “prática de IA” nas empresas. Isso inclui estabelecer limites claros de horário, pausas estruturadas para decisões humanas e regras para evitar a interrupção constante causada pela multitarefa.





