Um estudo publicado na revista Nature nesta sexta-feira (6) detalha uma descoberta fascinante: o Telescópio Espacial James Webb (JWST) detectou uma vasta gama de moléculas que servem como precursores dos blocos fundamentais da vida. O cenário da descoberta é a IRAS 07251–0248, uma galáxia infravermelha ultraluminosa com um núcleo densamente protegido por poeira e gás.
O olhar infravermelho através da poeira
Diferente de telescópios convencionais, o James Webb utiliza a visão infravermelha para atravessar densas nuvens cósmicas. Isso permitiu que os instrumentos NIRSpec e MIRI analisassem o coração da galáxia, revelando uma química complexa que antes era invisível.
Achados inéditos e moléculas raras
A equipe de pesquisadores identificou uma diversidade impressionante de compostos orgânicos baseados em carbono, incluindo:
- Hidrocarbonetos: Benzeno, metano, acetileno, diacetileno e triacetileno.
- Radical Metil: Uma molécula extremamente reativa, detectada pela primeira vez fora da nossa galáxia.
- Sólidos: Grãos ricos em carbono e gelo de água.
O líder do estudo, Ismael García Bernete (CAB), destacou que a quantidade dessas moléculas superou todas as previsões teóricas, sugerindo que existe uma fonte constante de carbono alimentando essa “rede química” galáctica.
A influência dos Raios Cósmicos
Uma das conclusões mais interessantes do estudo é que o calor e a turbulência sozinhos não explicam essa abundância química. A hipótese principal é que raios cósmicos — partículas de altíssima energia — estejam bombardeando grãos de poeira maiores, fragmentando-os e liberando essas pequenas moléculas orgânicas no espaço.
O que isso significa para a vida?
Embora essas moléculas (como o acetileno ou o benzeno) não sejam encontradas diretamente em células vivas, elas são consideradas etapas iniciais da química prebiótica. Elas funcionam como “peças de montar” que, sob as condições certas, podem dar origem a aminoácidos e nucleotídeos, essenciais para a vida como a conhecemos.
“Os núcleos galácticos obscurecidos podem funcionar como verdadeiras linhas de produção de moléculas orgânicas”, reforçam os pesquisadores.





