Nesta quinta-feira (8), a Samsung divulgou uma estimativa de lucro operacional de 80,17 bilhões de dólares — o equivalente a cerca de 428 bilhões de reais — referente ao terceiro trimestre de 2026. O montante representa um salto expressivo de 782,5% em comparação ao mesmo intervalo do ano anterior e tem potencial para estabelecer um recorde histórico de faturamento trimestral para uma companhia do setor tecnológico.
De acordo com informações da agência Reuters, a gigante sul-coreana estima atingir 107,4 trilhões de wons em resultado operacional entre os meses de julho e setembro, superando as previsões do mercado financeiro, que apostavam em 106,1 trilhões de wons.
O faturamento total também caminha para patamares inéditos, alcançando 195 trilhões de wons, o que traduz uma expansão de 126,6% na base anual. Caso os dados sejam oficializados, a corporação completará uma sequência de quatro trimestres consecutivos batendo recordes operacionais.
No entanto, o balanço revela um cenário heterogêneo entre os diferentes setores de atuação da companhia. Enquanto a divisão de semicondutores alavanca os ganhos, a área de telefonia móvel enfrenta adversidades que podem resultar em perdas superiores a 1 bilhão de dólares.
O papel da inteligência artificial no salto financeiro
O principal motor dessa alta expressiva é a busca acelerada por semicondutores de memória voltados para servidores e estruturas de computação dedicadas à inteligência artificial.
Como principal produtora global de memórias, a Samsung fornece componentes essenciais tanto para eletrônicos de consumo em massa quanto para a infraestrutura de ponta exigida por modelos avançados de IA.
Entre os itens mais disputados estão as memórias de alta largura de banda, conhecidas pela sigla HBM, fundamentais em aceleradores tecnológicos para assegurar o fluxo veloz de imensos volumes de dados.
Segundo especialistas consultados pela Reuters, as entregas de HBM da Samsung podem ter avançado cerca de 50% do segundo para o terceiro trimestre deste ano.
Paralelamente, a explosão na demanda por infraestrutura tecnológica gerou desabastecimento de insumos tradicionais, a exemplo dos chips DRAM e NAND, aplicados em computadores, celulares e data centers.
Diante da incapacidade da cadeia de produção em suprir o ritmo acelerado de pedidos, os valores de mercado dispararam. O cenário beneficiou diretamente líderes do segmento, como a própria Samsung, a SK Hynix e a Micron, que elevaram suas margens de lucro.
As perspectivas apontam que a oferta de componentes continuará restrita frente à demanda até 2028, embora persistam incertezas quanto a uma eventual retração nos aportes globais direcionados à inteligência artificial.

Divisão de celulares da Samsung pode registrar prejuízo superior a US$ 1 bilhão com o aumento dos preços de componentes (Reprodução/Babak Habibi/Unsplash)
Divisão de smartphones registra impacto negativo
Apesar do desempenho financeiro estrondoso, a disparada nos preços das memórias gerou efeitos colaterais em outras frentes da empresa sul-coreana.
Isso ocorre porque a própria corporação consome os componentes que fabrica na montagem de mercadorias como smartphones e tablets. Com o encarecimento dos insumos, a lucratividade da divisão mobile sofreu forte retração.
Projeções indicam que a área de dispositivos móveis da Samsung deverá fechar o terceiro trimestre com um prejuízo superior a 1 bilhão de dólares, frustrando as expectativas de analistas.
A dinâmica evidencia os reflexos ambivalentes da corrida tecnológica: ao mesmo tempo em que a escassez de chips engorda os cofres do setor de semicondutores, ela eleva o custo de fabricação de linhas populares como os aparelhos Galaxy.
Outro setor que deve permanecer no vermelho é o de fundição (foundry), responsável pela produção de chips sob encomenda. O segmento lida com despesas operacionais elevadas e baixa taxa de ocupação fabril, enquanto busca diminuir a vantagem da TSMC, principal rival no mercado global.
Mesmo diante do consolidado altamente positivo, o mercado acionário demonstra cautela quanto à sustentabilidade desse ciclo de alta ligado à inteligência artificial, fazendo com que as ações da Samsung acumulem baixa superior a 25% em relação ao pico atingido em junho.
A alta cotação da moeda sul-coreana também pesa sobre os negócios, reduzindo o rendimento externo ao ser convertido para a divisa local.
Os dados divulgados são preliminares. O relatório financeiro completo, detalhando os resultados individuais de cada segmento, será publicado pela Samsung em 29 de outubro.





