Uma nova tendência que tomou conta das redes sociais — em especial do TikTok — mostra pais utilizando o ChatGPT e outras ferramentas de IA para gerar retratos escolares de seus filhos, evitando os altos custos cobrados por estúdios especializados. A prática, contudo, coloca em pauta debates delicados sobre a segurança de dados de menores e direitos autorais.
Conforme apuração divulgada pelo Futurism com base em um levantamento da Fast Company, o comportamento tem ganhado força nos Estados Unidos. O apelo financeiro é evidente: enquanto os pacotes de fotos tradicionais oferecidos às famílias variam de US$ 25 a US$ 60 (aproximadamente R$ 130 a R$ 310), retratos avulsos podem alcançar a marca de US$ 125 (cerca de R$ 650). Para quem possui múltiplos filhos, a economia acumulada se torna o principal motor da iniciativa.
O método adotado pelos responsáveis
A repercussão do tema ganhou tração após relatos de criadores de conteúdo, a exemplo da influenciadora Carlie Bond. Em vídeos publicados na internet, ela demonstrou o passo a passo que utilizou para confeccionar as fotos acadêmicas dos três filhos:
- Captura inicial: Fotografar as crianças utilizando um smartphone em frente a uma superfície neutra.
- Processamento via IA: Enviar o arquivo para o ChatGPT com o comando para preservar os traços faciais, mas aplicar alterações estéticas.
- Resultado final: O sistema insere fundos texturizados ou em degradê clássicos, emulando perfeitamente o visual padrão de estúdios comerciais.
Enquanto muitos seguidores comemoraram a economia — com relatos de pais que gastariam quase US$ 170 apenas para resgatar arquivos digitais de quatro crianças —, a prática gerou controvérsias. Alguns usuários apontaram que a inteligência artificial frequentemente distorce traços fisionômicos, descaracterizando a feição real da criança.
Além disso, relatórios indicam que parte dos usuários tem utilizado o recurso para apagar marcas d’água em amostras prévias fornecidas por fotógrafos profissionais, ato que além de controverso pode configurar violação de direitos autorais protegidos por lei.

Pais estão utilizando o ChatGPT para transformar fotografias caseiras em retratos escolares e economizar com fotógrafos profissionais (Reprodução/Raphael Nicolas/Unsplash)
Os riscos ocultos na exposição de dados infantis
O ponto mais crítico levantado por especialistas reside no compartilhamento de imagens de menores de idade com plataformas de inteligência artificial. Ao fazer o upload de fotografias no chatbot, o arquivo é direcionado aos servidores da OpenAI, desenvolvedora do sistema. Dependendo do perfil da conta, esses dados podem ser aproveitados para refinar os algoritmos da empresa.
Para mitigar exposições indesejadas, a desenvolvedora disponibiliza caminhos de controle de privacidade nas configurações da conta:
- Desativação de treinamento: Acessar os ajustes, entrar na seção de gerenciamento de dados e desabilitar a função de aprimoramento de modelos para o público geral.
- Chats temporários: Utilizar sessões que não integram o histórico permanente de aprendizado, lembrando que conversas e arquivos associados ainda podem ser mantidos por até trinta dias em servidores para fins exclusivos de segurança.
- Remoção manual: A documentação da plataforma reforça que imagens anexadas diretamente na biblioteca do sistema precisam ser apagadas de forma individual, mesmo após a exclusão do chat de origem.
O cuidado redobrado com a imagem infantil reforça a necessidade de cautela ao submeter registros faciais e informações pessoais a ambientes automatizados na web.





