Uma ex-funcionária da Activision Blizzard protocolou uma nova ação judicial contra a empresa no começo de setembro, trazendo acusações graves de assédio frequente e tentativa de estupro no ambiente profissional. A autora do processo atua como designer de som e optou por preservar sua identidade para resguardar o andamento legal do caso.
Segundo o relato, o local de trabalho mantinha uma atmosfera típica de fraternidade universitária, onde homens recebiam privilégios e mulheres enfrentavam objetificação. A vítima aponta que o assédio sexual era uma rotina visível para as colaboradoras.
Entre os episódios relatados, a veterana detalha que, no período de 2011 a 2012, um colega de trabalho a conduziu até a residência dele, impediu sua saída, fez ameaças de agressão física e tentou violentá-la sexualmente.
Posteriormente, entre 2010 e 2015, outro funcionário do setor de som da Blizzard passou a assediá-la e intimidá-la profissionalmente, chantageando-a para assegurar que ela omitisse os abusos perante os gestores da época.
A denúncia também aponta a conduta de um diretor de áudio, acusado de investidas físicas impróprias — como tocar sua perna — e de manobras para impedir seu crescimento na carreira. O documento cita ainda imposição de jornadas exaustivas fora do expediente e pressões para que a funcionária buscasse acompanhamento psiquiátrico.

As denúncias contra a Blizzard ressurgem em um momento delicado para o estúdio (Divulgação/Microsoft)
O posicionamento da Blizzard
Em nota enviada ao jornal The LA Times, a empresa declarou que “trata tais denúncias com rigor”. No entanto, a manifestação não especificou se haverá uma investigação interna ou contato direto com a ex-colaboradora para apurar os fatos.
Um representante da desenvolvedora defendeu que a cultura da empresa prioriza a inclusão e o bem-estar dos colaboradores:
“Nos esforçamos para manter um espaço respeitoso e inclusivo, fazemos isso por meio das melhores políticas e sistemas criados para prevenir e identificar o assédio, discriminação e retaliação, além de responsabilizar os funcionários por seu comportamento”, afirmou a Activision Blizzard.
Histórico e cenário recente Não se trata do primeiro escândalo desse tipo envolvendo a desenvolvedora. Em 2021, denúncias equivalentes provocaram uma paralisação de mais de 3.000 empregados em protesto. Embora tenha evitado admitir culpa formal, a companhia encerrou o caso mediante um acordo financeiro de US$ 35 milhões com as partes afetadas.
Paralelamente, a empresa voltou a movimentar o mercado com anúncios recentes, incluindo a previsão de lançamento de Diablo V para 2029 — situado em um universo dominado pelo antagonista —, além de promessas de um novo Starcraft, atualizações em World of Warcraft e outros títulos.





