A companhia liderada por Sam Altman anunciou o desenvolvimento de uma resposta computacional baseada em inteligência artificial para um dos teoremas mais complexos da matemática moderna: o conjunto de fórmulas de Navier-Stokes. Estabelecidas há aproximadamente dois séculos, tais expressões governam a dinâmica de fluidos — como fluxos gasosos e líquidos —, mantendo lacunas teóricas em aberto até os dias atuais.
Para vencer o obstáculo, a corporação empregou uma rede com mais de mil agentes virtuais operando ininterruptamente por mais de 50 horas. O processo culminou em uma demonstração matemática rigorosa transcrita na linguagem Lean, ilustrando o potencial da tecnologia em avanços teóricos puros.
A empreitada, contudo, demandou infraestrutura massiva. Mark Chen, diretor de investigações, declarou que os gastos atingiram patamares milionários. Já o cientista Sebastien Bubeck pontuou que o ritmo das operações foi intensificado no final de agosto devido a indícios de que a rival Anthropic estaria prestes a anunciar um avanço similar.
O problema faz parte da prestigiada lista dos Problemas do Milênio estipulada pelo Clay Mathematics Institute, premiando com US$ 1 milhão cada enigma solucionado formalmente.

OpenAI usou mais de 1.000 agentes de IA para buscar solução das equações de Navier-Stokes. (Marcelo Fischer/Canaltech)
Controvérsias sobre autoria e acesso a dados
A conquista gerou atritos acadêmicos. O matemático Tristan Buckmaster (NYU) e Levent Alpöge (Anthropic) acusaram a OpenAI de conduta agressiva ao tentar reivindicar os créditos e sugerir que a publicação fosse assinada por uma inteligência artificial da casa, excluindo Alpöge. Bubeck rebateu as declarações publicamente, negando qualquer tentativa de supressão autoral.
A polêmica também abrange suspeitas de monitoramento indireto. Os pesquisadores utilizaram ferramentas de IA em seus estudos, incluindo o Codex da própria OpenAI, levantando questionamentos sobre uma possível vigilância de prompts para acelerar os robôs da empresa. A companhia rechaçou o uso de dados confidenciais, embora tenha admitido que informações anonimizadas extraídas de seus serviços podem integrar o aperfeiçoamento de seus algoritmos.

A solução da OpenAI para as equações de Navier-Stokes é alvo de questionamentos sobre autoria e uso de dados de pesquisa. (Levart_Photographer/Unsplash)
Defesa da empresa e distinção técnica
Diante das críticas, a diretoria negou apropriação de propriedade intelectual alheia. Ven Chandrasekaran, integrante do time científico da corporação, argumenta que o método automatizado diferem estruturalmente daquele elaborado por Buckmaster e Alpöge.
Enquanto Bubeck celebrou a conquista da dupla rival — que resolveu as equações de Euler não forçadas —, ele reforçou que a investida da OpenAI focou nas equações de Navier-Stokes, separando tecnicamente os dois feitos. O reconhecimento definitivo do marco científico e a elegibilidade ao prêmio do instituto dependem agora da validação minuciosa pela comunidade matemática internacional.





