Próxima geração de celulares pode adotar chips feitos de bactérias

FOTO: REPRODUÇÃO/MIT

Pense em um smartphone que processe dados utilizando microrganismos vivos no lugar do tradicional silício. Embora soe como enredo de filme futurista, cientistas do MIT avançaram nessa direção ao desenvolverem bactérias que atuam como transistores biológicos, estruturando redes capazes de computar dados.

A inovação ainda está longe de equipar os aparelhos atuais. Contudo, ela pavimenta o caminho para a criação de um eventual “chip vivo”, um conceito futuro em que bactérias poderiam rodar tarefas de processamento em ambientes biológicos.

Enquanto nos computadores tradicionais os transistores atuam como chaves que regulam a eletricidade, no teste do MIT o papel é análogo, mas com uma diferença: em vez de corrente elétrica, os micro-organismos gerenciam o trânsito de moléculas sinalizadoras que conectam as seções do circuito.

Para viabilizar isso, o grupo empregou a bactéria Pantoea agglomerans, gerando duas variedades de chaves biológicas, além de três linhagens que funcionam como repetidoras, repassando dados entre si.

As colônias foram dispostas sobre placas de ágar, distando cerca de 5 milímetros. Desse modo, os sinais viajam de um grupo para o seguinte, estruturando uma rede biológica.

Microrganismos já executam contas

O grupo uniu as células para montar operações lógicas variadas, viabilizando redes que lidam com múltiplos comandos e direcionam sinais a alvos distintos.

A maior estrutura montada na pesquisa continha 24 colônias e era capaz de realizar somas básicas. O principal entrave atual é o desempenho: cada operação demanda aproximadamente oito horas para finalizar.

Isso não indica que os telefones do amanhã trocarão os processadores de silício por bactérias. O objetivo real é outro: levar poder de processamento para dentro de organismos vivos.

Em dias futuros, por exemplo, essas redes poderiam ser integradas à vegetação para detectar pragas, seca ou outros estresses ambientais, ativando reações específicas de forma automática.

Crescimento das bactérias ao longo de 7 dias (Reprodução/MIT)

Da ficção para a realidade

Essa premissa já apareceu em obras de ficção, como em Star Trek: Voyager, onde a nave contava com “circuitos bio-neurais”, descritos como hardwares vivos voltados ao processamento de dados.

Contudo, na ficção o mecanismo divergia do estudo do MIT, pois o termo sugeria o uso de estruturas baseadas em neurônios, e não em bactérias.

Embora o estágio atual esteja distante de replicar a tecnologia de Star Trek, o estudo prova que empregar seres vivos na computação deixa de ser exclusividade dos livros e telas. Outro recurso que parece saído de filmes futuristas é a capacidade de aparelhos portáteis detectarem condições de pele apenas com uma fotografia.

WhatsApp