OpenAI anuncia chegada oficial ao Brasil e divulga dados expressivos de expansão

A criadora do ChatGPT, OpenAI, formalizou nesta segunda-feira (17) a abertura de suas atividades mercantis em território brasileiro. A revelação ocorreu durante uma coletiva de imprensa realizada no hotel Rosewood, na capital paulista, ocasião em que a organização apresentou estatísticas de expansão na nação, novas alianças estratégicas e sua perspectiva frente a eventuais interferências geopolíticas do governo estadunidense.

O país já abrigava, desde 2025, a primeira base da empresa no continente americano fora dos EUA. No encontro atual, a corporação aprofundou os motivos da escolha, consolidando o escritório local como o hub principal para toda a América Latina.

A expansão expressiva do ChatGPT

O Brasil figura no top 3 global em volume de usuários ativos na plataforma, registrando 50 milhões de acessos mensais — um montante que duplicou em apenas doze anos, conforme apontado por Oliver Jay, vice-presidente de estratégia e operações da companhia.

O engajamento também impressiona no volume de interações: os brasileiros enviam diariamente 215 milhões de mensagens ao assistente virtual, superando a marca anterior de 140 milhões e estabelecendo o maior índice diário do planeta. Além disso, o português brasileiro já representa a terceira língua mais empregada na ferramenta.

Outros destaques incluem a liderança mundial no uso do recurso de imagens (ChatGPT Images) e a segunda posição global em número de programadores que constroem soluções utilizando a tecnologia da marca. As assinaturas corporativas no país quintuplicaram em relação ao ciclo passado, enquanto a plataforma de código Codex consolidou o mercado nacional como seu principal reduto na região latino-americana.

O Brasil é hoje o terceiro maior mercado do ChatGPT (Viviane França/Canaltech)

Alianças com o setor público e privado

Durante o evento, foram anunciadas cooperações com importantes nomes do cenário nacional. Entre eles destaca-se a parceria com o Nubank para a criação de um consultor financeiro automatizado, apelidado de “private banker”.

Duas entidades do país foram selecionadas para integrar um programa internacional de subsídios voltado a pesquisas em inteligência artificial:

  • IMPA (Instituto de Matemática Pura e Aplicada): Analisará os requisitos necessários para que centros científicos convertam a tecnologia em descobertas práticas.
  • Hospital das Clínicas da FMUSP: Investigará a implementação de recursos inteligentes nos fluxos de atendimento médico e na triagem de pacientes.

Essas iniciativas somam-se a acordos prévios, a exemplo da capacitação tecnológica desenvolvida junto ao Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e do convênio firmado com a Prodam para o emprego da plataforma pela Prefeitura de São Paulo.

Segurança jurídica e cenário político

Questionado sobre possíveis sanções ou restrições impostas pela Casa Branca que pudessem bloquear o acesso de usuários brasileiros aos sistemas da empresa — a exemplo do episódio envolvendo a concorrente Anthropic —, o diretor de estratégia Jason Kwon descaracterizou a hipótese. Segundo o executivo, travar o avanço tecnológico global não atende aos interesses dos Estados Unidos, destacando que a equipe de relações institucionais atuou diretamente com o governo norte-americano para viabilizar a expansão internacional rápida do ChatGPT 5.6 Sol, modelo mais recente da marca.

Kwon também comentou o avanço de alternativas asiáticas, como o Qwen (da Alibaba) e o Kimi (da Moonshot AI), conhecidos por maior abertura e gratuidade local. Para o executivo, os custos logísticos e de infraestrutura exigidos para rodar tais sistemas minimizam a vantagem competitiva, mantendo os preços dos serviços da OpenAI atrativos.

A aposta no mercado brasileiro reflete a disputa acirrada pela comunidade de desenvolvedores na América Latina, onde a empresa busca se manter na vanguarda frente à concorrência de outras gigantes de IA e aos avanços de modelos de código aberto da Ásia.

WhatsApp