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Agência espacial norte-americana emprega manobra engenhosa para prolongar a longevidade operacional da histórica sonda Voyager 2

FOTO: NASA/JPL-CALTECH

Considerada um dos maiores marcos da exploração espacial, a famosa sonda Voyager 2 — que atualmente navega a uma distância superior a 21 bilhões de quilômetros do nosso planeta — continua recebendo suporte técnico direto da Terra. Diante do desgaste natural dos anos, a agência espacial norte-americana aplicou um recurso engenhoso, apelidado informalmente de “Big Bang”, para garantir que os instrumentos de bordo continuem funcionando por mais tempo.

O desafio energético enfrentado pelas naves decorre da forma como geram eletricidade: ambas utilizam geradores termoelétricos alimentados pelo calor proveniente do decaimento radioativo de plutônio. Ocorre que essas fontes de energia perdem aproximadamente quatro watts de potência anualmente. Considerando que as duas espaçonaves já acumulam mais de cinco décadas de trajetória no cosmos, a queda progressiva na geração de eletricidade tornou-se uma questão crítica para os operadores.

A sonda Voyager ganhou mais algum fôlego para seguir viagem (NASA/JPL-Caltech)

A Manobra Conhecida como “Big Bang”

Para contornar o problema com os recursos limitados disponíveis, a equipe de engenharia optou por desligar funções e equipamentos secundários que não possuíam utilidade científica direta. Em paralelo, foram implementadas estratégias alternativas para assegurar a estabilidade térmica da estrutura, mantendo os componentes internos aquecidos mesmo a uma distância extrema do Sol.

Na prática, o procedimento batizado de “Big Bang” consistiu em realocar uma parcela da carga elétrica oriunda da bateria nuclear para mitigar a escassez energética, protegendo o funcionamento da espaçonave sem colocar em risco o controle de temperatura.

O Futuro das Missões Interestelares

Graças a essa intervenção técnica, projeta-se que os aparelhos de análise científica da Voyager 2 permaneçam plenamente ativos por ao menos mais doze meses. A medida afasta temporariamente a necessidade de desativar sensores fundamentais para a coleta de informações sobre o meio interestelar, território situado além dos limites do nosso Sistema Solar.

Um ajuste de natureza semelhante deverá ser aplicado na sonda gêmea Voyager 1 nos meses subsequentes. No entanto, a operação apresenta complexidades adicionais: como essa unidade encontra-se a mais de 25,5 bilhões de quilômetros de distância, os comandos emitidos pelos controladores terrestres levam cerca de um dia inteiro para alcançar a estrutura.

Colocadas em órbita no ano de 1977, as irmãs Voyager superaram com folga todas as previsões iniciais de durabilidade estipuladas por seus criadores. Atualmente operando em pleno espaço interestelar — com a Voyager 1 tendo cruzado a fronteira em 2012 e a Voyager 2 em 2018 —, as naves seguem transmitindo informações valiosas e inéditas sobre uma zona do universo jamais alcançada por instrumentos humanos, com expectativa de manter essa atividade por mais algum tempo.

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