Um residente de Illinois, situado nos Estados Unidos, recebeu uma pena de seis anos e quatro meses de reclusão após violar perfis na plataforma Snapchat pertencentes a centenas de moças e subtrair imagens íntimas. Kyle Svara, com 27 anos de idade, admitiu a culpa perante a Justiça e a punição foi proferida pelo magistrado federal Brian Murphy, em Boston, em uma terça-feira recente.
A penalização foi oficializada por um representante do gabinete da procuradora federal Leah Foley, que conduziu a acusação contra Svara. A defesa técnica do réu optou por não se manifestar às solicitações de esclarecimento feitas pela agência Reuters.
A mecânica do golpe
Conforme apontado pelos investigadores, Svara utilizou linhas telefônicas virtuais e temporárias para disparar mensagens de engenharia social (phishing) para mais de mil e quinhentas mulheres durante o período de maio de 2020 a fevereiro de 2021. Nos textos, ele fingia ser um colaborador do suporte técnico da rede social.
Um número expressivo de usuárias acabou fornecendo os códigos de verificação solicitados, concedendo ao invasor acesso a pelo menos 517 perfis. Em quase sessenta dessas contas, o criminoso obteve arquivos fotográficos contendo nudez parcial ou completa.
Além de reter o conteúdo para consumo próprio, Svara comercializou seus serviços de invasão digital online. Foi por meio dessa prática que Steve Waithe, ex-treinador de atletismo da Universidade Northeastern, repassou a quantia de 50 dólares para que Svara violasse perfis femininos, englobando atletas que o próprio técnico havia orientado no passado.

Apesar de estar em baixa no Brasil, nos EUA o Snapchat ainda é um dos apps mais usados (Reprodução/appshunter.io/Unsplash)
Vínculo com outro réu por delitos correlatos
A identificação de Svara decorreu das investigações voltadas a Waithe, sentenciado em 2024 a uma pena de cinco anos de reclusão.
De acordo com a acusação, o antigo treinador manipulou jovens para que repassassem registros íntimos ou obteve tais arquivos de forma ilícita, atingindo mais de cinquenta e seis mulheres em diversas regiões norte-americanas.
Svara firmou acordo de confissão de culpa meses antes por crimes de fraude eletrônica e usurpação de identidade qualificada. O réu ainda enfrentou acusações de prestar falsas declarações aos oficiais ao negar envolvimento com pornografia infanto-juvenil, conteúdo este que os peritos afirmam ter localizado em seus repositórios virtuais.
Nos autos do processo, os defensores públicos argumentaram que o acusado manifesta “profundo arrependimento e constrangimento” pelas condutas ilícitas. A representação legal justificou que os delitos foram praticados durante uma fase de restrição social, época em que Svara cursava graduação na Universidade de Illinois e enfrentava o confinamento decorrente da crise sanitária global.





