A intersecção entre o universo dos videogames e o das animações japonesas não é novidade. Desde a popularização dos consoles nos anos 80, ambas as mídias caminham lado a lado, com títulos como Dragon Ball e o menos memorável Zillion servindo como exemplos dessa convergência.
O fluxo contrário também é constante: obras que nascem nos controles e ganham vida em estúdios de animação, tornando-se séries de streaming ou longas-metragens. O caso mais emblemático continua sendo Pokémon, que saltou dos cartuchos para uma série animada que definiu gerações.
Nesse cenário, diversos jogos possuem estrutura, narrativa, elenco e estética que se traduziriam naturalmente para as telas. Esse potencial é mais frequente em títulos nipônicos, que consolidaram estilos de storytelling extremamente particulares.
8. Xenoblade

Xenoblade tem histórias longas (Divulgação/Nintendo)
Franquia de grande peso da Nintendo, Xenoblade expandiu seu alcance com o lançamento no Switch, sendo que o terceiro capítulo chegou a figurar entre os indicados a Jogo do Ano na edição de 2022 do The Game Awards.
Essa série de RPG renderia adaptações excelentes, especialmente considerando a profundidade da construção de seu universo e a vastidão de sua mitologia. Suas reviravoltas emocionais e o tom trágico da trama seriam ingredientes ideais para manter o público engajado em uma série episódica.
7. Fire Emblem

Fire Emble: Three Houses tem uma história
Se Xenoblade é um sucesso mais recente, Fire Emblem acumula mais de três décadas de mitologia que poderiam facilmente ser revitalizadas em um anime, permitindo até a exploração de arcos narrativos inéditos.
Sustentada por mecânicas de RPG tático e personagens memoráveis, a saga não segue uma linha temporal rígida, transitando entre temas de guerra, reinos, dragões e jovens protagonistas. Seja focando no viés político de Three Houses ou nos conflitos bélicos clássicos, a franquia oferece um leque vasto para produções com tons mais maduros e complexos.
6. Okami

Sequência de Okami foi anunciada no The Game Awards 2024 (Divulgação/Capcom)
O clássico da Capcom, que teve seu retorno triunfal anunciado durante o The Game Awards 2024 sob a supervisão do diretor original, Hideki Kamiya, é um forte candidato.
Uma transposição de Okami poderia explorar livremente sua estética singular, que funde técnicas de cel-shading com a arte tradicional da pintura a nanquim oriental. A direção de arte do jogo possui traços tão marcantes que seriam perfeitos para um longa-metragem de animação, aproveitando tanto o folclore quanto os personagens memoráveis da jornada original.
5. Code Vein

Code Vein II chegou neste ano (Divulgação/Bandai Namco)
Adaptar Code Vein seria um processo quase natural, dado que toda a sua identidade visual e o design de seus protagonistas já emulam os traços clássicos dos animes. O soulslike da Bandai Namco carrega uma atmosfera enigmática e uma ambientação pós-apocalíptica que se encaixariam perfeitamente em uma produção focada em um público mais adulto.
O maior obstáculo seria transpor a intensidade do sistema de combate para uma linguagem audiovisual episódica sem perder a essência da fantasia sombria.
4. Bloodstained: Ritual of the Night

Bloodstained: Ritual of the Night é outro título da lista com sequência já confirmada (Divulgação/505 Games, ArtPlay)
Concebido por Koji Igarashi, mestre por trás do aclamado Castlevania: Symphony of the Night, este metroidvania é estrelado por Miriam, uma mulher fundida a cristais imbuídos de energias demoníacas.
O jogo se prestaria a uma adaptação de alta qualidade, seguindo o exemplo de sucesso de outras produções baseadas em Castlevania. A profundidade psicológica da protagonista oferece camadas riquíssimas para serem expandidas em um formato narrativo mais longo.
3. Metaphor: ReFantazio

Metaphor ReFantazio é o último grande sucesso da Atlus (Divulgação/SEGA)
Franquias da Atlus costumam transitar bem entre mídias, e com Metaphor: ReFantazio não seria diferente. Considerado um dos JRPGs de maior destaque de 2024, ele apresenta uma premissa ideal para animações.
Seu protagonista, Will, segue o arquétipo do “underdog” tão comum em shounens. Como um pária da tribo Elda que enfrenta preconceitos devido à sua relação com a magia proibida, ele habita um mundo vibrante, rico em instituições fictícias e questionamentos sociopolíticos.
2. Chrono Cross

Chrono Cross se tornou um clássico de PS1 (Divulgação/Square Enix)
Embora Chrono Trigger tenha sido um divisor de águas para a Square Enix em 1995, seu sucessor, Chrono Cross, trouxe um sistema de combate revolucionário e um roteiro extremamente denso.
A exploração de dimensões paralelas e ramificações temporais apresenta um desafio criativo interessante. Com um elenco numeroso de mais de 40 personagens, a adaptação exigiria um planejamento cuidadoso. Ainda assim, seu estilo visual e a trama focada em dilemas emocionais e viagens dimensionais seriam muito bem aproveitados em um formato de série animada.
1. Fantasian

(Divulgação/Square Enix, Mistwalker)
O projeto de Hironobu Sakaguchi, com trilha sonora assinada pelo lendário Nobuo Uematsu, é um forte candidato. O RPG de exploração focada em grupo apresenta dinâmicas que caberiam como uma luva em um anime de aventura.
Vale lembrar que o compositor Nobuo Uematsu já possui histórico com o gênero, tendo trabalhado no anime derivado de Blue Dragon, RPG que também contou com a colaboração do estúdio Mistwalker, responsável por Fantasian.





