Missão à Lua: Empresa japonesa contrata 500 kg de carga com a SpaceX

FOTO: WALTER CICCHETTI/SHUTTERSTOCK

A companhia japonesa ispace decidiu ampliar suas ambições de exploração lunar ao fechar uma parceria com a SpaceX para utilizar o Starship. A empresa de Tóquio revelou que assegurou um espaço para 500 kg de equipamentos no maior e mais potente veículo espacial já desenvolvido. A meta é realizar o lançamento por volta de 2030, em uma transação avaliada em US$ 50 milhões (cerca de R$ 258,2 milhões), de acordo com informações do Tokyo Brief.

Em nota oficial, o fundador e presidente da ispace, Takeshi Hakamada, expressou entusiasmo com o novo serviço, batizado de Lunar Access Integration:

“Estamos muito contentes em viabilizar essa nova modalidade de transporte por meio da nossa parceria com a SpaceX. Dispor de fretes de grande porte e com custos mais acessíveis, como os que o Starship promete entregar, é fundamental para pavimentarmos o caminho rumo a uma economia sustentável em solo lunar.”

Parceria de longo prazo e novos rovers

O posicionamento de Hakamada sinaliza que a ispace pretende se consolidar como uma usuária assídua do Starship. O plano é empregar o supercargueiro para levar o Mobile Cargo System (MCS) até a Lua. O MCS consiste em uma plataforma robótica plana desenvolvida para mover até meia tonelada de carga útil pelo relevo do satélite natural.

A operação inicial com o MCS está prevista para acontecer a partir de 2030. Contudo, esse prazo está atrelado ao progresso da SpaceX em transformar o Starship em um foguete comercial totalmente operacional. Até o momento, o veículo realizou 12 voos experimentais, todos de caráter suborbital.

O relacionamento entre ispace e SpaceX

  • Histórico de voos: A parceria não é inédita. A ispace já utilizou os foguetes Falcon 9 da SpaceX para enviar o módulo de pouso HAKUTO-R ao espaço em duas oportunidades (2022 e 2025).
  • Resultados anteriores: Em ambas as tentativas, a sonda japonesa alcançou a órbita da Lua com êxito, mas acabou se chocando contra a superfície no momento do pouso.
  • A proposta do Starship: O veículo superpesado foi desenhado para ser integralmente reaproveitado, com capacidade de transportar até 150 toneladas para a órbita terrestre baixa.
  • Desenvolvimento arrastado: Elon Musk, fundador da SpaceX, apresentou o projeto do foguete pela primeira vez em 2016, no México, durante o Congresso Astronáutico Internacional. Desde então, os prazos de estreia operacional vêm sofrendo constantes modificações.

Profissionais da ispace carregam o módulo lunar Resilience-Missão 2 em um contêiner de transporte em preparação para o envio para a Flórida – Imagem: ispace

Cronogramas em transformação e o papel da NASA

Os planos originais da SpaceX para o Starship mudaram bastante ao longo dos anos. Em 2021, a expectativa era realizar uma viagem lunar antes de 2024, mas os contratempos técnicos forçaram o adiamento do cronograma. O ano de 2024 também era o prazo inicial estipulado pela NASA para o retorno de astronautas à Lua com o programa Artemis, meta que acabou sendo reformulada.

A agência espacial norte-americana escolheu a Starship para atuar como o módulo de descida humana na superfície lunar, missão agora agendada para a Artemis 4, no final de 2028. Gestores da NASA chegaram a apontar o ritmo de desenvolvimento do foguete da SpaceX como um dos fatores para a revisão do calendário da Artemis.

Outros investidores de olho na Starship

A NASA e a ispace dividem a lista de clientes da nave com outros nomes. O investidor japonês Yusaku Maezawa, por exemplo, idealizou o projeto #dearMoon em 2018, comprando um voo privado ao redor da Lua para si e um grupo de artistas. No entanto, diante dos sucessivos atrasos no desenvolvimento do veículo, o bilionário optou por cancelar a jornada em 2024.

Um cenário de forte aceleração

Apesar dos reajustes de datas, o ecossistema de exploração lunar está ganhando tração. A NASA acumula resultados positivos em suas primeiras etapas: a Artemis 1 foi uma jornada automatizada à órbita da Lua no fim de 2022, enquanto a Artemis 2 levou quatro astronautas para um sobrevoo lunar recentemente, em abril passado.

O próximo passo da agência é a Artemis 3, programada para o meio de 2027. O objetivo será validar manobras de acoplamento na órbita da Terra envolvendo a cápsula Orion e dois módulos de pouso tripulados concorrentes: a própria Starship e o Blue Moon, desenvolvido pela Blue Origin.

A ispace quer aproveitar esse momento para se estabelecer estrategicamente na nova era de exploração comercial. De acordo com o comunicado da empresa:

“A chegada de sistemas de transporte capazes de injetar grandes volumes de carga na Lua vai acelerar a criação de redes essenciais de energia, transmissão de dados, infraestrutura, engenharia civil e locomoção.”

A companhia complementou explicando que a consolidação dessas estruturas básicas tornará futuros projetos comerciais muito mais viáveis e menos custosos, abrindo as portas para testes tecnológicos de menor escala e novos negócios. A ispace planeja expandir o limite de peso de seus rovers conforme o mercado crescer e também projeta outras três missões com o seu veículo de pouso de grande porte, o ULTRA Lander, agendadas consecutivamente para 2028, 2029 e 2030.

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