Após alta nas ações por fim dos discos físicos, CEO da Sony desfaz-se de mais de 50% de seus papéis

O presidente executivo (CEO) da Sony, Hiroki Totoki, desfez-se de mais de 50% dos papéis que possuía da companhia, conforme revela um relatório enviado à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC). O movimento financeiro ocorreu logo após a empresa comunicar que deixará de fabricar discos físicos para o PlayStation em janeiro de 2028.

Os dados oficiais apontam que Totoki negociou 225 mil ações no dia 3 de julho, cotadas a US$ 21,02 cada, o que resultou em um montante de quase US$ 4,7 milhões. Esse volume equivale a 56% do total que o executivo detinha na organização. Com a conclusão da venda, restaram-lhe 173.250 ações.

A liderança da multinacional teve outras baixas acionárias no mesmo período. Toshimoto Mitomo, responsável pela área de estratégia da Sony, também comercializou parte de seus ativos na mesma data. Ele vendeu 25 mil papéis pelo idêntico valor de US$ 21,02 por unidade, faturando cerca de US$ 525,5 mil — montante que representa 18% de seus investimentos na empresa.

Mesmo com a liquidação de ativos por parte do alto escalão, o valor de mercado da Sony não sofreu grandes oscilações. Os papéis da companhia mantinham-se firmes por volta de US$ 21,20 na Bolsa de Nova York (NYSE), acumulando uma valorização de quase 6% desde o comunicado de 1º de julho a respeito do rumo digital do PlayStation.

A escolha estratégica de encerrar o suporte aos discos físicos de videogame a partir de 2028 causou grande impacto no setor de entretenimento. Se por um lado os analistas de mercado já previam que o futuro seria integralmente digital, a confirmação pegou muitos usuários de surpresa, apesar do prazo de um ano e meio concedido até a interrupção definitiva da manufatura.

O público gamer reagiu de forma contundente à notícia. Um manifesto virtual hospedado na plataforma Change.org sob o lema “Don’t Kill the Disc” (Não matem o disco) já conta com a adesão de mais de 216 mil jogadores. O grupo apela para que a Sony volte atrás, demonstrando apreensão quanto à propriedade dos jogos digitais e à preservação histórica dos títulos. Até agora, a gigante japonesa não se manifestou sobre o abaixo-assinado ou sobre as críticas da comunidade.

Vale ressaltar que, embora a venda dos ativos tenha coincidido com o anúncio institucional, inexistem evidências que associem os dois fatos. Movimentações acionárias dessa natureza são comuns e costumam fazer parte da gestão de finanças particulares dos próprios gestores.

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