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12 experiências clássicas que marcaram a infância de todo gamer brasileiro

FOTO: DIVULGAÇÃO/DAMIEN MCFERRAN/TIME EXTESION

O cenário dos jogos eletrônicos mudou drasticamente no Brasil. No entanto, quem cresceu entre as décadas de 1990 e 2000 compartilha de marcos idênticos em sua trajetória: situações que independiam do videogame escolhido ou da condição financeira, mas que aconteceram com praticamente todo mundo.

Embora aquela fosse uma época teoricamente mais simples, curtir um bom jogo exigia paciência e, frequentemente, forçava a molecada a adotar manias que viraram verdadeiras marcas registradas. Quem aí não se recorda dos malabarismos que fazíamos só para conseguir jogar um pouco?

Para homenagear esses tempos de ouro, preparamos uma seleção com 12 momentos repletos de nostalgia que fazem parte do DNA de qualquer jogador brasileiro. Se você passou por esse período colado em uma TV de tubo ou na frente de um monitor de PC, certamente vai sorrir com estas lembranças. Veja a seguir:

12. Ficar girando o analógico durante o carregamento

O DualShock 2 sofria com o excesso de vezes que se girava o analógico (Imagem: Stas Knop/Pexels)

Em uma era sem armazenamento em SSD, os títulos mais robustos do PlayStation 1 e do PlayStation 2 demoravam uma eternidade para iniciar. Era o tempo perfeito para dar uma pausa, fazer um lanche na cozinha e retornar antes mesmo de a partida começar. Foi aí que as telas de loading viraram padrão, trazendo ilustrações para tentar amenizar a espera.

Sem muito o que fazer, os jogadores começaram a rodar os direcionais analógicos do controle para passar o tempo, transformando o tédio em hábito. Alguns títulos, como a franquia Dragon Ball Z: Budokai Tenkaichi, colocavam pequenas interações na tela quando você fazia isso, fazendo com que muita gente mantivesse o costume até as gerações mais recentes.

11. Terminar um jogo com um guia impresso do lado

Na época sem vídeos, muitos apelavam para as revistas (Imagem: Reprodução/BD Jogos)

Nos anos 1990 e no começo dos anos 2000, o acesso à internet era escasso e plataformas de vídeo como o YouTube ainda nem existiam. Sem a facilidade de assistir a tutoriais em vídeo, a solução era recorrer às icônicas revistas de videogame para desvendar os mistérios e encontrar os caminhos corretos.

Especialmente em jogos de RPG ou aventuras cheias de segredos, era de lei deixar a revista aberta no chão ao lado do controle. Fosse lendo a Ação Games, a Super Game Power ou outras publicações da banca, todo mundo buscava o socorro do papel nas fases mais complicadas.

10. Deixar o controle da locadora tomar um tombo

Quantas vezes esse controle caiu da sua mão? (Imagem: Reprodução/YouTube)

Antes da febre das lan houses, as locadoras de videogame eram o grande ponto de encontro dos jogadores locais. Quem já tinha o aparelho em casa ia até lá para alugar fitas; quem não tinha, pagava por hora para jogar ali mesmo com os amigos.

Como o ambiente vivia lotado de crianças agitadas, acidentes eram inevitáveis e muitos controles iam direto para o chão. Para conter o prejuízo, os proprietários criavam regras rígidas: desde passar a vez para o próximo da fila até perder preciosos minutos do tempo pago (cada queda podia custar meia hora de jogatina). Ninguém queria arriscar.

9. Colocar o PlayStation 1 de cabeça para baixo

Em alguns casos, essa tampa só ficava fechada com o peso do PS1 fazendo pressão sobre a mesa (Imagem: Reprodução/Sony)

O primeiro console da Sony marcou época, mas sofria com um problema crônico na trava da tampa, que quebrava facilmente após qualquer batida leve. Se a tampa ficasse aberta, o leitor óptico não girava e o jogo não rodava. Para fugir do preço dos consertos, a comunidade inventou uma solução inacreditável: virar o aparelho de ponta-cabeça.

Com essa gambiarra, a própria gravidade mantinha o compartimento fechado, permitindo que o laser lesse o disco normalmente. Tanto o modelo original cinza quanto o menor (PSOne) passaram por isso na mão de muita gente, a ponto de essa posição bizarra virar algo completamente normal na época.

8. Dar uma soprada nos cartuchos para limpar o contato

Tinha fita de Super Nintendo que só funcionava na base do assopro (Imagem: Reprodução/Giant Bomb)

Não existia nenhum embasamento científico que provasse que soprar a placa interna dos cartuchos de Super Nintendo ou Mega Drive resolvia falhas de leitura. Contudo, na prática, o truque funcionava perfeitamente. Se o game travava na tela inicial, bastava um sopro certeiro nos conectores para a mágica acontecer.

Ninguém sabe onde essa mania surgiu, mas ela virou parte da cultura pop nacional. Chegou em casa com o jogo alugado, colocou no console e deu tela preta? Sem desespero: era só respirar fundo, soltar o ar no cartucho e tentar de novo. Às vezes exigia mais de uma tentativa, mas o método não falhava.

7. Apertar o botão de desligar o computador usando o pé

Curiosamente, o botão tinha o tamanho exato do dedo do pé (Imagem: Diego Corumba/Canaltech)

Quem não passou horas trancado no quarto jogando clássicos como Diablo II, Tibia ou The Sims 2? O problema era que, no calor do momento, em uma tarde empolgante de fim de semana, um movimento em falso embaixo da mesa fazia o dedão do pé atingir em cheio o botão do gabinete, desligando o PC do nada.

Naqueles tempos, ninguém ostentava o computador em cima da escrivaninha. Como as mesas não tinham espaço, as máquinas ficavam direto no chão, coladas no estabilizador. Como o botão de energia costumava ficar bem na parte frontal, o risco de um chute acidental era constante.

6. Ter que desembaraçar os nós dos cabos

O cabo era um dos maiores vilões dos gamers nos anos 1990 e 2000 (Imagem: Reprodução/Jens Mahnke, Pexels)

Os periféricos com fio entregavam uma resposta excelente nos comandos, mas o preço a pagar era encontrá-los completamente emaranhados após um tempo guardados. Deixar de arrumar o cabo significava jogar colado na televisão ou, pior, puxar o fio sem querer e ver o videogame voar da estante.

A chegada dos controles sem fio no Xbox 360 e PS3 foi uma verdadeira benção. Até a era do PlayStation 2, lidar com cabos retorcidos era um teste diário de paciência antes de finalmente poder apertar o Start.

5. Encarar a temida tela vermelha do PS2

Essa tela causa gatilhos, não é? (Imagem: Reprodução/Sony)

O PlayStation 2 foi um fenômeno mundial e no Brasil não foi diferente, impulsionado principalmente pelo mercado de jogos alternativos em feiras e camelôs. A rotina era clássica: você voltava para casa feliz com uma sacola de discos novos, mas um deles inevitavelmente exibia a terrível tela de erro.

O pesadelo era idêntico para todos: o console ligava, os cubos iniciais giravam e, de repente, o fundo ficava completamente vermelho com a mensagem: “Please Insert a PlayStation or PlayStation 2 format disc”. Às vezes, uma limpeza resolvia, mas em outras o disco estava perdido e o jeito era voltar na banca para trocar.

4. Sumir com o Memory Card

Todo gamer perdeu um desses nos intervalos entre as jogatinas (Imagem: Reprodução/Sony)

Antes do armazenamento interno virar padrão nos consoles, salvar o progresso não era tão simples. Enquanto os cartuchos salvavam os dados na própria fita, os jogos em CD exigiam um acessório externo: o Memory Card.

Como eram cartões bem pequenos, eles desapareciam de casa com uma facilidade impressionante. O cachorro pegava para brincar, a mãe mudava de lugar na hora da faxina ou o cartão simplesmente caía em um vão invisível atrás do móvel. No melhor dos cenários, ele reaparecia dias depois. No pior, suas dezenas de horas investidas em um jogo eram apagadas para sempre.

3. Fazer vaquinha ou economizar para levar “3 por R$ 10”

Todo gamer perdeu um desses nos intervalos entre as jogatinas (Imagem: Reprodução/Sony)

Fosse guardando o dinheiro do lanche, economizando a mesada ou juntando as moedas que ganhava dos avós, o sábado de manhã tinha destino certo: a banca de camelô da cidade. O local ficava repleto de jovens disputando os melhores títulos para aproveitar o resto do fim de semana.

As bancas mais movimentadas sempre ofereciam a clássica promoção de levar três mídias por dez reais. Era uma corrida contra o tempo: se você chegasse às 10h da manhã, a mesa estava cheia; se piscasse o olho e voltasse minutos depois, os melhores lançamentos já tinham sido levados por outro.

2. Fazer negócios nas feiras do rolo

Era possível trocar cartuchos de NES, Super Nintendo, Mega Drive e muitos outros (Imagem: Viktorya Sergeeva/Pexels)

Muito antes da facilidade dos discos baratos, a principal alternativa para jogar novidades era visitar as famosas feiras de troca aos domingos. Os vendedores estendiam panos no chão ou montavam bancadas com dezenas de cartuchos antigos de bobeira.

Se você estivesse com uma fita valorizada e rara, conseguia fazer uma troca pau a pau por outro jogo bom. Se o seu cartucho estivesse mais desgastado ou fosse um título comum, o negócio exigia dar dois jogos em troca de um. Independentemente da negociação, todo mundo saía de lá satisfeito com uma nova jornada para experimentar.

1. Bater cartão na locadora de videogame aos sábados

Nas locadoras você alugava as fitas e também podia jogá-las por ali mesmo, caso quisesse (Imagem: Reprodução/Ítalo Chianca)

Para quem viveu o auge do Mega Drive e do Super Nintendo, o sábado de manhã seguia um roteiro sagrado: insistir muito para que algum adulto levasse você até a locadora mais próxima. Muitas vezes a loja nem tinha aberto as portas, mas a ansiedade já tomava conta. A grande vantagem desse dia era o combo de fim de semana: você alugava no sábado, aproveitava o domingo e só devolvia na segunda-feira.

A atmosfera daquele lugar deixou marcas profundas: as paredes cheias de caixas de jogos, a aglomeração de jovens torcendo para que ninguém pegasse o lançamento do momento e a expectativa por dias de pura diversão. Quem nunca escolheu um jogo totalmente desconhecido só porque achou o desenho da capa incrível que atire a primeira pedra.

A nostalgia dos videogames antigos

Além dessas situações, existem inúmeras outras pequenas cumplicidades que compartilhamos com nossos antigos aparelhos. Quem nunca levou um susto enorme ao tropeçar em um fio e ver o console balançar? Ou deu aquele controle desligado na mão do primo menor só para ele achar que estava controlando o jogo? Quem viveu essa época sabe exatamente o valor dessas memórias.

Dessas 12 situações clássicas da infância gamer no Brasil, quantas fizeram parte da sua vida? Você conseguiu gabaritar a lista?

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