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Cerca de 1.600 funcionários da Meta assinaram petição contra ferramenta que rastreava teclas e cliques

A Meta, de Mark Zuckerberg, pausou um programa que monitorava a atividade dos computadores de seus funcionários em meio a preocupações com privacidade de dados e uma reação negativa da equipe.

A empresa dona do Facebook, Instagram e WhatsApp havia introduzido uma ferramenta que rastreava teclas digitadas, cliques do mouse e o conteúdo exibido nas telas dos computadores dos funcionários com o objetivo de coletar dados para treinar seus modelos de IA.

Mais de 1.600 funcionários da Meta assinaram uma petição contra a ferramenta, chamada de Model Capability Initiative, exigindo que a empresa não colete “dados de ‘uso do computador’ dos funcionários”.

A petição dizia: “Coletar e reutilizar esse tipo de dado levanta sérias preocupações em relação à privacidade, ao consentimento e à confiança no ambiente de trabalho.”
A publicação especializada Wired reportou nesta semana que os dados do MCI coletados de laptops corporativos estavam acessíveis a qualquer pessoa dentro da empresa. A reportagem citou um aviso interno de segurança que mencionava a exposição de tabelas de dados contendo “prompts completos e transcrições, conversas privadas, dados de pessoas e de desempenho”.

A Meta confirmou que o programa foi pausado.
“Desenvolvemos esse programa com cuidado e com salvaguardas de privacidade, e embora não tenhamos nenhuma indicação até o momento de que algum dado tenha sido acessado de forma inadequada por funcionários da Meta, estamos pausando o programa enquanto investigamos”, disse a empresa em comunicado.

Zuckerberg, fundador e CEO da Meta, teria dito aos funcionários que os modelos de IA aprendem “observando pessoas muito inteligentes fazendo coisas”, de acordo com um relato de uma reunião interna da empresa.

“A inteligência média das pessoas que estão nesta empresa é significativamente maior do que a média das pessoas que você consegue para realizar tarefas”, disse ele, acrescentando que as habilidades de programação dos engenheiros da Meta melhorariam dramaticamente as capacidades de codificação de um modelo.
Zuckerberg está investindo valores astronômicos em inteligência artificial na Meta e prevê gastar até US$ 145 bilhões (£ 110 bilhões) em despesas de capital neste ano, grande parte destinada a investimentos em IA, como data centers.

Enquanto isso, o New York Times reportou que Zuckerberg ordenou recentemente que uma pequena equipe da companhia, avaliada em US$ 1,4 trilhão, criasse um aplicativo de smartphone semelhante ao Polymarket e ao Kalshi, sites de mercados de previsão que permitem aos usuários apostar em eventos que vão desde os vencedores do Tony Award até o conflito com o Irã. Cerca de US$ 24 bilhões em apostas são realizadas mensalmente no Kalshi e no Polymarket, de acordo com o Pew Research Centre.

O projeto ainda em fase inicial foi chamado de Arena e funcionaria separadamente dos aplicativos de redes sociais e mensagens da Meta, segundo o NYT. A reportagem acrescenta que o protótipo do aplicativo ainda está em desenvolvimento e pode não ser lançado.
Mike Proulx, diretor de pesquisa da empresa de análise Forrester, disse que entrar em uma área controversa como os mercados de previsão, que já enfrentam escrutínio legal nos EUA, era “uma péssima imagem” para uma empresa já sob pressão judicial por causa de seus produtos de redes sociais.

A Meta foi contatada para comentar.

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