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Para criar óculos inteligentes, Meta contrata ex-membros da CIA e FBI

Uma reportagem da revista Wired revelou que a Meta estabeleceu uma parceria com a Rank One Computing (ROC) — empresa comandada por ex-membros da CIA e do FBI — com o objetivo de integrar ferramentas de reconhecimento facial aos seus óculos inteligentes. O software da ROC foi localizado diretamente no código do aplicativo Meta AI, que gerencia os dispositivos criados em colaboração com marcas como Oakley e Ray-Ban.

A licença contratada pela Meta previa o uso de tecnologias avançadas de biometria facial e sistemas de “detecção de vivacidade” (capazes de distinguir pessoas reais de fotografias). O projeto, internamente chamado de NameTag, teria capacidade para armazenar até 10 milhões de moldes faciais.

Sistema da ROC conta com mecanismo de detecção de vivacidade (Imagem: Divulgação/Meta/Ray-Ban)

Laços estreitos com o governo americano

A ROC possui um histórico profundamente ligado ao setor de inteligência dos EUA, obtendo cerca de 80% de seu faturamento através de contratos com forças policiais, agências de espionagem e o Pentágono.

Essa proximidade é evidente em sua liderança:

  • Dawn Meyerriecks: Membro do conselho da ROC e ex-vice-diretora de Ciência e Tecnologia da CIA.
  • B. Scott Swann: Atual CEO da empresa, que atuou por mais de 18 anos no FBI gerenciando bancos de dados biométricos.

A aliança estratégica liderada por Mark Zuckerberg acendeu alertas por aproximar tecnologias de vigilância estatal de eletrônicos voltados para o consumidor comum.

Parceria da Meta com a ROC pode marcar aproximação de óculos inteligentes com ferramentas usadas por órgãos governamentais (Imagem: Gabriel Furlan Batista/Canaltech)

Código é apagado e Meta se pronuncia

Apesar da integração nos bastidores, o sistema de reconhecimento facial da ROC nunca chegou a ser ativado para o público. Em 5 de junho de 2026 — apenas um dia após a repercussão do caso —, a Meta removeu completamente as linhas de código que faziam menção ao software parceiro.

O vice-presidente de Comunicação da Meta, Andy Stone, utilizou a rede social X (antigo Twitter) para esclarecer a situação. Ele confirmou que a empresa estuda essas ferramentas, mas negou qualquer implementação prática:

“Nada foi lançado para os consumidores e nenhuma decisão final foi tomada sobre o que faremos nesse caso, se é que faremos algo. Se decidirmos lançar algum desses recursos, adotaremos uma abordagem cuidadosa e faremos isso com total transparência.”

Mesmo sem o lançamento oficial, o episódio reacendeu discussões globais sobre o futuro da privacidade em uma era de dispositivos vestíveis hiperconectados. Paralelamente ao debate corporativo, o setor de modificações de hardware já se movimenta: especialistas prometem adaptar os óculos da Meta para funcionarem como “câmeras de espionagem” por um custo estimado de R$ 250.

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