Uma terapia celular experimental de ponta, desenvolvida pelo Hemocentro de Ribeirão Preto em parceria com o Instituto Butantan e a Universidade de São Paulo (USP), vem apresentando resultados iniciais altamente promissores no combate ao linfoma não Hodgkin. O tratamento inovador utiliza as células de defesa do próprio paciente, que são modificadas geneticamente em laboratório para reconhecer e destruir o câncer de forma precisa.
Os dados preliminares apontam uma taxa de resposta de 87,5% entre os voluntários avaliados. Na prática, isso significa que cerca de nove a cada dez pacientes apresentaram redução significativa ou desaparecimento total do tumor. Diante do sucesso inicial da pesquisa clínica, o Ministério da Saúde informou que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acompanhará o estudo por meio de um comitê de inovação, visando agilizar a futura análise regulatória e a incorporação do tratamento na rede pública.
Como funciona e qual o panorama do estudo no país
O procedimento, chamado de CAR-T Cell, baseia-se na coleta de células T do sangue do paciente, que são reprogramadas em ambiente laboratorial antes de serem reinfundidas no organismo para atuar contra a doença.
Conduzido pela USP, o estudo clínico de fase inicial e intermediária foca na avaliação da segurança, dos efeitos colaterais e da eficácia terapêutica em pacientes com linfoma não Hodgkin. A pesquisa engloba uma rede de hospitais universitários e centros médicos de referência, incluindo:
- Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto e de São Paulo (capital)
- Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
- Beneficência Portuguesa
- Hospital Sírio-Libanês
Até o momento, o projeto já recrutou 75 voluntários de uma meta mínima de 100 participantes. Desse total, as células modificadas já foram produzidas para 81 indivíduos e a infusão do tratamento foi concluída com sucesso em 25 pacientes.
Impacto econômico e o futuro da técnica no SUS
A viabilização do método em solo nacional carrega um peso social e econômico estratégico. No mercado internacional, o custo estimado da terapia CAR-T pode atingir 500 mil dólares por paciente (mais de 2,5 milhões de reais). O desenvolvimento da tecnologia por instituições brasileiras é fundamental para tornar viável a oferta desse tratamento de alta complexidade de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Os cientistas responsáveis também planejam expandir o uso da técnica a longo prazo. Embora os estudos ainda estejam em fase de planejamento, a expectativa é aplicar a metodologia no tratamento de leucemias e de patologias autoimunes crônicas, como o lúpus e a miastenia gravis.





