Para conter o que poderia ser uma das maiores paralisações de sua história, a Samsung firmou um acordo preliminar com o sindicato que custará US$ 27 bilhões (aproximadamente R$ 133 bilhões). O montante será destinado ao pagamento de bônus para os colaboradores do setor de semicondutores e prevê a distribuição de cerca de 40 trilhões de wones em bonificações.
O pacote de compensação envolve dinheiro e papéis da própria empresa: 10,5% dos lucros da divisão serão convertidos em bônus acionários, enquanto outros 1,5% serão pagos diretamente em dinheiro.
O consenso foi alcançado no limite do prazo, restando poucos dias para o início de uma greve de 18 dias que contaria com a adesão de quase 50 mil funcionários. O movimento vinha gerando forte apreensão no mercado internacional, já que a interrupção das atividades ameaçava o fornecimento global de memórias DRAM e NAND — itens cruciais para a fabricação de SSDs, servidores, placas de vídeo e tecnologias de inteligência artificial (IA).
Lucros recordes impulsionaram a insatisfação dos trabalhadores
A mobilização sindical ganhou força após a Samsung apresentar resultados financeiros históricos, impulsionados pela alta demanda do setor de IA. Somente no primeiro trimestre de 2026, a gigante sul-coreana faturou R$ 191 bilhões em lucro.
Diante dessas cifras bilionárias, os trabalhadores passaram a exigir uma fatia maior dos ganhos. A pauta de reivindicações incluía bônus mais robustos e uma reformulação nos critérios de remuneração da divisão de chips.
Nas semanas que antecederam o acordo, o clima de tensão fez com que a Samsung desacelerasse preventivamente as atividades em algumas de suas fábricas. Especialistas do mercado alertavam que, caso a greve de fato se concretizasse, a atual crise global de memória RAM seria severamente agravada.
Próximos passos
Embora o avanço na mesa de negociações seja significativo, o acordo ainda depende do aval formal dos membros do sindicato em assembleia. Se for ratificado, o novo modelo de bonificação poderá vigorar pelos próximos 10 anos, condicionado ao cumprimento de metas financeiras pela empresa. Caso seja rejeitado, o fantasma da greve retorna, ameaçando piorar o cenário da crise dos chips.





