Zuckerberg admite que o sucesso da Meta não é garantido após demissões

Em um memorando enviado aos colaboradores nesta quarta-feira (20), o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, justificou a demissão de 8.000 funcionários. Segundo o executivo, o corte expressivo é uma medida necessária diante da forte concorrência no setor de Inteligência Artificial (IA), onde “o sucesso não é garantido”.

“A IA é a tecnologia mais importante de nossas vidas“, destacou Zuckerberg no documento obtido pela CNBC. “As empresas que liderarem esse caminho definirão a próxima geração.”

A existência do memorando foi divulgada inicialmente pelo The New York Times. Procurada, a Meta optou por não se manifestar sobre o assunto.

Reestruturação interna e foco em IA

A nova onda de demissões reduz em cerca de 10% o quadro de funcionários da gigante das redes sociais. Essa movimentação já havia sido antecipada em abril, quando a Meta anunciou que faria cortes em maio e cancelou a abertura de 6.000 vagas. Na ocasião, a empresa explicou que a redução de despesas serviria para financiar aportes em setores estratégicos, como a IA.

A reestruturação traz outros pontos importantes:

  • Realocação interna: Aproximadamente 7.000 funcionários serão transferidos para divisões focadas em IA, segundo fontes anônimas.
  • Setores blindados: Áreas voltadas para a infraestrutura de IA, modelos fundamentais e monetização de inteligência artificial foram preservadas dos cortes.
  • Agradecimento: No comunicado, Zuckerberg demonstrou compaixão e agradeceu aos que deixam a empresa pelo esforço dedicado à comunidade da Meta.

Clima de incerteza e queda no engajamento

O ambiente interno na Meta é de forte apreensão, já que a companhia vem realizando desligamentos recorrentes. Fontes indicam que novas demissões em massa podem ocorrer em agosto e também no outono norte-americano.

Esse cenário impactou diretamente o moral da equipe. Dados da rede profissional anônima Blind revelam que a avaliação geral da Meta por parte dos funcionários despencou 25% em comparação com o pico registrado no segundo trimestre de 2024. Já a percepção sobre a cultura da empresa teve uma redução ainda maior, de 39%.

Zuckerberg tentou acalmar os ânimos ao afirmar que a diretoria “não prevê novas demissões globais para este ano”. Ele também fez uma autocrítica: “Quero reconhecer que não fomos tão transparentes quanto gostaríamos em nossa comunicação, e essa é uma área em que pretendo garantir melhorias.”

O histórico da Meta e o cenário do setor de tecnologia

Antes deste corte atual, a Meta já havia demitido cerca de 1.000 trabalhadores da divisão Reality Labs em janeiro, além de centenas de outros profissionais em março. A empresa também anunciou que pretende substituir moderadores de conteúdo terceirizados por sistemas de IA.

A holding do Facebook não está sozinha nessa transição de mercado:

  • Cisco: Anunciou recentemente o corte de 4.000 funcionários. O CEO Chuck Robbins pontuou que os vencedores da era da IA serão aqueles com disciplina para redirecionar recursos para onde há valor no longo prazo.
  • Microsoft: Abriu, em abril, um programa inédito de aposentadoria voluntária, elegível para cerca de 7% de sua força de trabalho nos Estados Unidos.

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