A Mozilla revelou que o Claude Mythos Preview, a nova inteligência artificial da Anthropic focada em segurança digital, identificou 271 falhas no navegador Firefox. A boa notícia é que todas as vulnerabilidades foram sanadas antes do lançamento da versão 150, programada para esta semana.
O impacto real das descobertas
Embora o número de bugs encontrados seja alto, apenas três receberam registros oficiais de vulnerabilidade (CVEs) no comunicado da Mozilla: CVE-2026-6746, CVE-2026-6757 e CVE-2026-6758.
A discrepância entre as 271 falhas e os 3 CVEs indica que a maioria dos problemas encontrados refere-se a:
- Baixa gravidade: Falhas que não oferecem risco imediato de exploração.
- Hardening: Sugestões de endurecimento de código e defesa em profundidade.
- Caminhos não exploráveis: Erros em trechos de código que não podem ser acionados por agentes externos.
Bobby Holley, CTO do Firefox, minimizou o alarde sobre a “supremazia” da IA, destacando que nenhum dos bugs encontrados estava além da capacidade de um pesquisador humano de elite. “Não acreditamos que modelos de IA descobrirão categorias de vulnerabilidades totalmente incompreensíveis para nós”, pontuou.
Project Glasswing: Acesso restrito para segurança
A capacidade do Mythos de encontrar autonomamente milhares de vulnerabilidades de “dia zero” (desconhecidas) levou a Anthropic a adotar uma postura cautelar. O modelo não é público, sendo restrito ao Project Glasswing, que atende um grupo seleto de gigantes como:
- Tech: Apple, Google, Microsoft, Nvidia e AWS.
- Cibersegurança: CrowdStrike e Palo Alto Networks.
- Finanças e Infraestrutura: JPMorgan Chase e Linux Foundation.
A eficiência do Mythos em testes de intrusão
Dados da Palo Alto Networks mostram que a IA realizou o equivalente a um ano de testes de penetração em apenas três semanas. O diferencial do modelo reside em:
- Encadeamento de falhas: Combinar múltiplos bugs pequenos para criar uma exploração crítica.
- Lógica avançada: Identificar erros estruturais que ferramentas de segurança tradicionais ignoram.
Lee Klarich, da Palo Alto Networks, alerta que em seis meses esse tipo de tecnologia será comum. Ele reforça que o risco aumentará drasticamente para organizações que não se protegerem, especialmente porque modelos similares de outros desenvolvedores podem não ter as mesmas restrições de acesso que o Mythos — que, inclusive, já possui relatos de acessos não autorizados.





