O gasto médio gerado por incidentes de vazamento de dados no mercado brasileiro alcançou a marca histórica de R$ 7,44 milhões em 2026. A informação consta no relatório Cost of a Data Breach 2026, elaborado pela IBM e publicado nesta quinta-feira (15).
O montante reflete as despesas necessárias para remediar as invasões, o que inclui a mobilização de peritos para apurar a falha, conter prejuízos e reativar os sistemas, somados a possíveis sanções financeiras e penalidades regulatórias.
No contexto nacional, o número representa o patamar mais elevado registrado desde o início do levantamento. O indicador mantém uma trajetória ascendente, registrando alta de 3,5% na comparação com o valor verificado no levantamento anterior, que era de R$ 7,19 milhões.
O setor de saúde lidera o ranking de prejuízos no país, registrando um custo médio de R$ 12,55 milhões por incidente. Para Fernando Carbone, líder técnico da divisão de Segurança da IBM Consulting Brasil, a alta relevância e a fragilidade desses registros explicam o montante elevado.
“São dados muito sensíveis que ajudam muito nas extorsões. Então, isso valoriza muito o dado”, explica. “Vimos até, recentemente, casos na nossa região de grandes hospitais que foram vítimas recentes de ataques cibernéticos com dados vazados.”
Logo atrás da área médica, posicionam-se os segmentos de tecnologia, com média de R$ 8,96 milhões, e a indústria de serviços, com R$ 8,63 milhões por ocorrência.
O papel da Inteligência Artificial: vetor de ataque e ferramenta de contenção
No panorama mundial, uma em cada quatro ofensivas cibernéticas contou com o suporte de recursos de IA. Por outro lado, a mesma inteligência artificial é empregada no combate e na identificação de brechas, reduzindo o tempo de resposta das equipes de TI.
Conforme a pesquisa, companhias brasileiras que aplicam de forma abrangente automação e inteligência artificial em suas defesas registraram despesas 30% menores em vazamentos do que as corporações sem essas soluções. Em razão disso, 33% das organizações têm planos de ampliar o orçamento destinado à governança e proteção de ferramentas de IA.
“Estamos vivendo em um momento de virada de chave na capacidade de ações maliciosas ou tecnológicas. Vivemos em um momento onde a IA vem para ajudar o mercado de tecnologia a trazer eficiência. Mas, por outro lado, ela traz um risco e uma capacidade de automação, velocidade e exploração com intenções maliciosas muito elevadas”, pontua o líder da área de segurança da IBM Consulting América Latina, Nicolas Mucci.
Paralelamente, a incorporação de soluções inteligentes traz à tona o fenômeno do Shadow AI — a utilização de plataformas não autorizadas pelos próprios funcionários —, que expõe informações corporativas sigilosas e encarece as estratégias de contenção.
No Brasil, a presença do Shadow IT gerou um custo adicional médio de R$ 720,3 mil em cada violação reportada.
Entre as portas de entrada mais recorrentes utilizadas por cibercriminosos no país, o estudo destaca o phishing e as vulnerabilidades presentes na cadeia de suprimentos.
A edição de 2026 do Cost of a Data Breach analisou 602 corporações em diversos países — incluindo 42 operações no Brasil — que enfrentaram incidentes de segurança cibernética no intervalo entre março de 2025 e fevereiro de 2026.





