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Fim dos consoles tradicionais deve acontecer até 2035, aponta estudo

Uma pesquisa inédita realizada pela Bloomberg Intelligence aponta que a indústria de jogos via nuvem deve movimentar US$ 38 bilhões em 2035, transformando os videogames tradicionais em artigos do passado. Conforme a análise, os aparelhos dedicados deixarão de ser fabricados em larga escala, tornando-se itens restritos a um mercado de nicho.

Essa projeção, contudo, não é tratada como garantia absoluta: ela depende de um excedente no fornecimento de placas de vídeo (GPUs) para baratear computadores e componentes eletrônicos até a virada da década. No cenário de 2026, porém, não existem indicativos de queda nos preços praticados por fabricantes como NVIDIA, AMD, Intel e suas parceiras.

O relatório assinado pelo analista Nathan Naidu destaca que a inteligência artificial desempenhará um papel crucial nessa transição. De acordo com o especialista, a tecnologia ajudará a otimizar a infraestrutura dos data centers que hospedam as transmissões de jogos, reduzindo custos operacionais.

Na visão de Naidu, a oferta de GPUs superará a procura até o final dos anos 2020. Com a queda na demanda e a abundância de unidades em estoque, a redução nos custos tornará o modelo de streaming comercialmente viável em grande escala.

A realidade atual do setor, contudo, caminha em sentido oposto ao cenário desenhado pela pesquisa. Em julho, a divisão de nuvem da Amazon (AWS) aplicou um reajuste de 20% no uso de GPUs — o segundo aumento no período de seis meses. A alta foi impulsionada pelo desabastecimento de chips de memória, problema que continua sem previsão de solução.

Enquanto o PS5 Pro está acima de US$ 900, a estimativa é que a próxima geração custe mais de US$ 1.000 (Divulgação/Sony Interactive Entertainment)

Os videogames estão com os dias contados?

O levantamento traça um paralelo entre os consoles e as vitrolas de discos de vinil. Segundo o estudo, os aparelhos de videogame continuarão existindo nas mãos de colecionadores e entusiastas do formato físico, perdendo a relevância central que possuem atualmente na distribuição de jogos.

No cenário atual de cloud gaming, a Microsoft detém 40% de participação por meio do Xbox Cloud Gaming. A NVIDIA lidera a preferência global com o GeForce NOW, enquanto a Tencent domina o segmento na China. A Amazon também expande sua atuação na área com o serviço Luna.

Apesar do forte investimento de várias empresas, a consolidação desse ecossistema não é garantida. Marcas tradicionais do mercado japonês demonstram cautela com a tecnologia: a Sony disponibiliza a transmissão de jogos via PS Plus em mercados selecionados, enquanto a Nintendo mantém distância do setor.

Nesse meio-tempo, a produção de novos aparelhos segue em andamento. O PlayStation 6 já está em desenvolvimento e a divisão Xbox confirmou o lançamento do seu próximo hardware, codinome Project Helix. O desempenho desses lançamentos, somado ao ciclo do Nintendo Switch 2, definirá os rumos da indústria para os próximos dez anos.

Paralelamente, decisões recentes têm desgastado a relação com os consumidores — a exemplo das controvérsias envolvendo restrições de software nas novas edições do PS5. Caso esses entraves persistam, a transição do público para novas plataformas digitais pode acontecer de forma mais rápida do que o esperado.

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